sábado, 9 de novembro de 2019

Toda a gente tem medo de tudo,
E eu tenho medo de nada.

Amar não é só para os outros,
mas amor não é de ninguém.

Toda a gente olha a vida
Como se fosse alguém. 

Mas alguém só é alguém,
quando não é de ninguém.

08/11/2019

 pacovillanova

domingo, 30 de outubro de 2016

Amor



Um dia pensei que o que sentia por ti era amor.

E não é que o era?

Agora é que sinto o ardor, que, sem o saber, fiquei sempre à espera

Dum sorriso teu meu amor.

E para ti...



É para ti que faço este poema.

É para ti Lua, Sol e Universo.

É para ti, desta pessoa que te ama

Que estes versos ofereço.


Não és tu, Lua, Sol ou Universo

Que um, sem o outro, não havia momento

Fazeres de mim, o que te agradeço,

Um longo mas terno lamento?...


Não és tu Vida a realidade

Que apenas nos sonhos acontece

Sempre mostrando a Verdade

Que nas mentes adormece?...


Não és tu Vida, pela qual eu existo

Que és felicidade e tormento

E na qual eu persisto

Manter - te no pensamento? ...




2016

terça-feira, 24 de março de 2015

Precisão



O que me tranquiliza 
é que tudo o que existe, 
existe com uma precisão absoluta. 
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete 
não transborda nem uma fração de milímetro 
além do tamanho de uma cabeça de alfinete. 
Tudo o que existe é de uma grande exatidão. 
Pena é que a maior parte do que existe 
com essa exatidão 
nos é tecnicamente invisível. 
O bom é que a verdade chega a nós 
como um sentido secreto das coisas. 
Nós terminamos adivinhando, confusos, 
a perfeição.

Clarice Lispector

sábado, 9 de julho de 2011

Que música escutas tão atentamente

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

Eugénio de Andrade 
(Coração do dia)

domingo, 5 de junho de 2011

Tás a ver



Tás a ver o que eu estou a ver?

Tás a ver estás a perceber?

Tás a ouvir o que eu estou a dizer?

Tás a ouvir estás a perceber?


Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho

Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho

Tenho visto tanta coisa tanta cena

Mais impactante do que qualquer filme de cinema

E se milhares de filmes não traduzem nem reproduzem

A amplitude do que eu tenho visto

Não vou mentir pra mim mesmo acreditando

Que uma música é capaz de expressar tudo isso

Não vou mentir pra mim mesmo acreditando

Mas eu preciso acreditar na comunicação

Mas eu preciso acreditar na...

Não há melhor antídoto pra solidão

E é por isso que eu não fico satisfeito

Em sentir o que eu sinto

Se o que eu sinto fica só no meu peito

Por mais que eu seja egoísta

Aprendi a dividir as emoções e os seus efeitos

Sei que o mundo é um novelo uma só corrente

Posso vê-lo por seus belos elos transparentes

Mudam cores e valores mas tá tudo junto

Por mais que eu saiba eu ainda pergunto


Tás a ver a vida como ela é?

Tás a ver a vida como tem que ser?

Tás a ver a vida como a gente quer?

Tás a ver a vida pra gente viver?


Nossa vida é feita

De pequenos nadas


Tás a ver a linha do horizonte?

A levitar, a evitar que o céu se desmonte

Foi seguindo essa linha que notei que o mar

Na verdade é uma ponte

Atravessei e fui a outros litorais

E no começo eu reparei nas diferenças

Mas com o tempo eu percebi

E cada vez percebo mais

Como as vidas são iguais

Muito mais do que se pensa

Mudam as caras

Mas todas podem ter as mesmas expressões

Mudam as línguas mas todas têm

Suas palavras carinhosas e os seus calões

As orações e os deuses também variam

Mas o alívio que eles trazem vem do mesmo lugar

Mudam os olhos e tudo que eles olham

Mas quando molham todos olham com o mesmo olhar

Seja onde for uma lágrima de dor

Tem apenas um sabor e uma única aparência

A palavra saudade só existe em português

Mas nunca faltam nomes se o assunto é ausência

A solidão apavora mas a nova amizade encoraja

E é por isso que a gente viaja

Procurando um reencontro uma descoberta

Que compense a nossa mais recente despedida

Nosso peito muitas vezes aperta

Nossa rota é incerta

Mas o que não incerto na vida?


Tás a ver a vida como ela é?

Tás a ver a vida como tem que ser?

Tás a ver a vida como a gente quer?

Tás a ver a vida pra gente viver?


Nossa vida é feita

De pequenos nadas


A vida é feita de pequenos nadas

Que agente saboreia, mas não dá valor

Um pensamento, uma palavra, uma risada

Uma noite enluarada ou um sol a se pôr

Um bom dia, um boa tarde, um por favor

Simpatia é quase amor

Uma luz acendendo, uma barriga crescendo

Uma criança nascendo, obrigado senhor

Seja lá quem for o senhor

Seja lá quem for a senhora

A quem quiser me ouvir e a mim mesmo

Eu preciso dizer tudo o que eu estou dizendo agora

Preciso acreditar na comunicação

Não há melhor antídoto pra solidão

E é por isso que eu não fico satisfeito em sentir o que eu sinto

Se o que sinto fica só no meu peito

Por mais que eu seja egoísta

Aprendi a dividir minhas derrotas e minhas conquistas

Nada disso me pertence

É tudo temporário no tapete voador do calendário

Já que temos forças pra somar e dividir

Enquanto estivermos aqui

Se me ouvires cantando, canta comigo

Se me vires chorando, sorri


Tás a ver a vida como ela é?

Tás a ver a vida como tem que ser?

Tás a ver a vida como a gente quer?

Tás a ver a vida pra gente viver?


Nossa vida é feita

De pequenos nadas


Gabriel O Pensador

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Nem tudo...

Nem tudo o que sou
o  penso.
Nem tudo o que sofro
o  sinto.
Nem tudo o que vejo
o olho.
Nem tudo o que sinto
o  compreendo.

Nem tudo o que faço
o  procuro.
Nem tudo o que procuro
o  encontro.
Nem tudo o que encontro
o quero.

Nem tudo o que dizes
eu ouço.
Nem tudo o que fazes
eu  gosto.
Nem tudo o que amas
eu  adoro.

pacovillanova
20/05/11

 Crenças não existem. Existem estados patológicos.