domingo, 30 de outubro de 2016

Amor

Um dia pensei que o que sentia por ti era amor. 
E não é que o era?
Agora é que sinto o ardor, que, sem o saber, fiquei sempre à espera
Dum sorriso teu meu amor.

E para ti...

É para ti que faço este poema.
É para ti Lua, Sol e Universo.
É para ti, desta pessoa que te ama
Que estes versos ofereço.

Não és tu, Lua, Sol ou Universo 
Que um, sem o outro, não havia momento
Fazeres de mim, o que te agradeço, 
Um longo mas terno lamento?...

Não és tu Vida a realidade
Que apenas nos sonhos acontece
Sempre mostrando a Verdade 
Que nas mentes adormece?...

Não és tu Vida, pela qual eu existo
Que és felicidade e tormento 
E na qual eu persisto
Manter - te no pensamento? ...

2016

terça-feira, 24 de março de 2015

Precisão



O que me tranquiliza 
é que tudo o que existe, 
existe com uma precisão absoluta. 
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete 
não transborda nem uma fração de milímetro 
além do tamanho de uma cabeça de alfinete. 
Tudo o que existe é de uma grande exatidão. 
Pena é que a maior parte do que existe 
com essa exatidão 
nos é tecnicamente invisível. 
O bom é que a verdade chega a nós 
como um sentido secreto das coisas. 
Nós terminamos adivinhando, confusos, 
a perfeição.

Clarice Lispector

sábado, 9 de julho de 2011

Que música escutas tão atentamente

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

Eugénio de Andrade 
(Coração do dia)

domingo, 5 de junho de 2011

Tás a ver

Tás a ver o que eu estou a ver?
Tás a ver estás a perceber?
Tás a ouvir o que eu estou a dizer?
Tás a ouvir estás a perceber?
Eu tenho visto tanta coisa nesse meu caminho
Nessa nossa trilha que eu não ando sozinho
Tenho visto tanta coisa tanta cena
Mais impactante do que qualquer filme de cinema
E se milhares de filmes não traduzem nem reproduzem
A amplitude do que eu tenho visto
Não vou mentir pra mim mesmo acreditando
Que uma música é capaz de expressar tudo isso
Não vou mentir pra mim mesmo acreditando
Mas eu preciso acreditar na comunicação
Mas eu preciso acreditar na...
Não há melhor antídoto pra solidão
E é por isso que eu não fico satisfeito
Em sentir o que eu sinto
Se o que eu sinto fica só no meu peito
Por mais que eu seja egoísta
Aprendi a dividir as emoções e os seus efeitos
Sei que o mundo é um novelo uma só corrente
Posso vê-lo por seus belos elos transparentes
Mudam cores e valores mas tá tudo junto
Por mais que eu saiba eu ainda pergunto
Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como a gente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?
Nossa vida é feita
De pequenos nadas
Tás a ver a linha do horizonte?
A levitar, a evitar que o céu se desmonte
Foi seguindo essa linha que notei que o mar
Na verdade é uma ponte
Atravessei e fui a outros litorais
E no começo eu reparei nas diferenças
Mas com o tempo eu percebi
E cada vez percebo mais
Como as vidas são iguais
Muito mais do que se pensa
Mudam as caras
Mas todas podem ter as mesmas expressões
Mudam as línguas mas todas têm
Suas palavras carinhosas e os seus calões
As orações e os deuses também variam
Mas o alívio que eles trazem vem do mesmo lugar
Mudam os olhos e tudo que eles olham
Mas quando molham todos olham com o mesmo olhar
Seja onde for uma lágrima de dor
Tem apenas um sabor e uma única aparência
A palavra saudade só existe em português
Mas nunca faltam nomes se o assunto é ausência
A solidão apavora mas a nova amizade encoraja
E é por isso que a gente viaja
Procurando um reencontro uma descoberta
Que compense a nossa mais recente despedida
Nosso peito muitas vezes aperta
Nossa rota é incerta
Mas o que não incerto na vida?
Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como a gente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?
Nossa vida é feita
De pequenos nadas
A vida é feita de pequenos nadas
Que agente saboreia, mas não dá valor
Um pensamento, uma palavra, uma risada
Uma noite enluarada ou um sol a se pôr
Um bom dia, um boa tarde, um por favor
Simpatia é quase amor
Uma luz acendendo, uma barriga crescendo
Uma criança nascendo, obrigado senhor
Seja lá quem for o senhor
Seja lá quem for a senhora
A quem quiser me ouvir e a mim mesmo
Eu preciso dizer tudo o que eu estou dizendo agora
Preciso acreditar na comunicação
Não há melhor antídoto pra solidão
E é por isso que eu não fico satisfeito em sentir o que eu sinto
Se o que sinto fica só no meu peito
Por mais que eu seja egoísta
Aprendi a dividir minhas derrotas e minhas conquistas
Nada disso me pertence
É tudo temporário no tapete voador do calendário
Já que temos forças pra somar e dividir
Enquanto estivermos aqui
Se me ouvires cantando, canta comigo
Se me vires chorando, sorri
Tás a ver a vida como ela é?
Tás a ver a vida como tem que ser?
Tás a ver a vida como a gente quer?
Tás a ver a vida pra gente viver?
Nossa vida é feita
De pequenos nadas
Gabriel O Pensador

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Nem tudo...

Nem tudo o que sou
o  penso.
Nem tudo o que sofro
o  sinto.
Nem tudo o que vejo
o olho.
Nem tudo o que sinto
o  compreendo.

Nem tudo o que faço
o  procuro.
Nem tudo o que procuro
o  encontro.
Nem tudo o que encontro
o quero.

Nem tudo o que dizes
eu ouço.
Nem tudo o que fazes
eu  gosto.
Nem tudo o que amas
eu  adoro.

pacovillanova
20/05/11

domingo, 15 de maio de 2011

A Montanha por Achar

A MONTANHA por achar
Há de ter, quando a encontrar,
Um templo aberto na pedra
Da encosta onde nada medra.

O santuário que tiver,
Quando o encontrar, há de ser
Na montanha procurada
E na gruta ali achada.

A verdade, se ela existe,
Ver-se-á que só consiste
Na procura da verdade,
Porque a vida é só metade. 



Poesias inéditas
Fernando Pessoa

domingo, 17 de outubro de 2010

Não tenho ambições nem desejos

Não tenho ambições nem desejos.

ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sózinho.
...

Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
...
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar...
...

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
...

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Fernando Pessoa

sábado, 4 de setembro de 2010

A Jovem pura

Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco,
como se no centro de uma ardente estrela
de lento espaço.

Do seu olhar largamente verde
a luz caía como uma água seca,
em transparentes e profundos círculos
de fresca força.

Seu peito como um fogo de duas chamas
ardía em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.

Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas extendidas
e oculto fogo.

Pablo Neruda

segunda-feira, 14 de junho de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Foi um momento

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há uma coisa
Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?

Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Poema

Exércitos conflituosos foram extintos.
Agora, só deles os fósseis é que restam.
Os sobreviventes.

Muitos deles nos parecem familiares.
Regras são sempre as mesmas.
Apenas os jogadores é que mudam.

Tempo e mortalidade nada significam.

Quando o silêncio ensurdecedor da tua ausência
vibra do cio subtil da luz
e a tua sombra vem turbulenta
no fluxo da noite.

Sátiro à tua beira como asno lácteo.
Diabo ou Deus?

Vem a mim
vem como abismo nupcial
na brisa leve e estranha.
No luar do bosque em marmóreo monte.
O roxo da minha prece ardente.
Do àdito rubro do laço quente.
A alma que enterra em olhos de azul
o ver entrar teu capricho exul.

Vem com trombeta estridente e fina
bela colina.
Meu corpo eu lasso do abraço em vão.
Áspide e agudo na solidão.
Mas vem
está vazia a minha carne fria
do cio sozinho da demonia.
A espada corta tudo que ata e dói.
Tudo cria, tudo destrói.
Dá-me o sinal do olho aberto
a coxa aspa, o toque erecto
e a palavra do louco e do secreto.
Faz o teu ser sem vontade vã!
Desperta na dobra do aperto da cobra.

No corno, no corno do unicornado
eu sou levado
no solstício severo a equinócio,
e raivo, e rasgo
e rosnando fremo, o mundo sem termo
os deuses vão.

Quando despertosdeste sono
a Vida, se soubermos o que somos
e o que foi essa queda de corpo
essa descida até à noite
que nos a alma obstrui.

Conheceremos toda a escondida verdade
de tudo aquiloque há, ou flui.

Não, Nem na almalivre é conhecida.
Nem Deus que nos criou
em si a inclui.
Deus é homem de um outro Deus maior.
Adam supremo, também como foi nosso criador
foi criado e aVerdade lhe morreu.
Além do abismo, spírito lha veda
a quém já não há no mundo
corpo seu.
Mas antes era o Verbo aqui perdido.

Quando a infinita luz já apagada
do caos, chão do ser foi levantado em bomba.

E o Verbo ausente escurecido.
Mas se a alma sente a sua forma errada
em si que é sombra, vê enfim.
Luzido o Verbo deste mundo
humano e ungido.

Rosa perfeita em Deus crucificada.
Então senhores dolumiar dos céus?...
Poderemos ir buscar além de Deus
todo o segredo do mestre
e o Bem profundo?
Não só de aqui mas já de nós despertos
no sangue actual de Cristo
enfim libertos
que morre o adeus da geração do mundo.

Ah!!... Mas aqui onde errais erramos.
Dormimos o que somos.
E a Verdade?
Inda que enfim em sonhos a vejamos?
Vemo-la porque em sonho é falsidade.
Sombras buscando corpos.
Se as achamos
como sentir a sua realidade?
Com mãos de sombra?
Sombras que tocamos!

O nosso toque é ausência e vacuidade.
Quem desta alma fechada nos liberta?
Sem ver
ouvimos além da sala de ser.
Mas como?
Aqui, a porta aberta?

Calmos na falsa morte a nós exposto.

O livro ocluso, contra o peito posto
nosso pai, rosea crux, conhece e cala.

Ulisses Teixeira
29/01/2010
22:06 H

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Eternidade

Vou libertar-me dos deuses,
impostos e devolutos,
e procurar-me.

Ser a criança que observa
e se procura
na intensidade da sua procura;

nos genes astrais da continuidade,
nos espectros da morte e da vida.

No ser e não ser,
num limbo que se recicla
numa força
que sempre
se minimiza.

Ser o futuro
mesmo que ainda não exista.

Na eternidade vou colocar meu poleiro.

No mundo me diluo.

12/11/2009

sábado, 26 de setembro de 2009

Momento presente...

Existimos desde há
pelo menos
25 000n anos.

Mas o que temos que ter presente
é que temos que ter presente
que temos que ver só o momento.

O momento presente;
o momento que passa.

Temos que estar presentes.

pacovillanova
26/09/09

quarta-feira, 11 de março de 2009

Porque é que este sonho absurdo

Porque é que este sonho absurdo
a que chamam realidade
não me obedece como os outros
que trago na cabeça?

Eis a grande raiva!
Misturem-na com rosas
e chamem-lhe vida.

José Gomes Ferreira

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A Verdade

A verdade não é aquilo que digo.
A verdade não é aquilo que falo.
A verdade é unica,
Não compreendo a verdade.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Não sei.

Quem sou? Não sei.

 O mundo é cheio

de infinidades.

 

O que faço? Não sei.

Entrego-me aos simbolismos.

Sina de ser humano.

 

Que quero? Não sei.

Encontro o que procuro

nem que seja subjectivado.

5/02/09

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Mal nos conhecemos

Mal nos conhecemos 
inauguramos a palavra amigo! 
Amigo é um sorriso 
de boca em boca, 
um olhar bem limpo 
uma casa, mesmo modesta, que se oferece. 
Um coração pronto a pulsar 
na nossa mão! 
Amigo (recordam-se, vocês aí, 
escrupulosos detritos?) 
Amigo é o contrário de inimigo! 
Amigo é o erro corrigido, 
não o erro perseguido, explorado. 
É a verdade partilhada, praticada. 
Amigo é a solidão derrotada! 
Amigo é uma grande tarefa, 
um trabalho sem fim, 
um espaço útil, um tempo fértil, 
amigo vai ser, é já uma grande festa! 

Alexandre O'Neill

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Disse

Disse 
A àgua dos teus lábios 
O fruto leve dos teus dedos 
A sombra macia dos teus seios 
A distância rara dos olhos negros 
O sussurro quente da tua presença 
A violência branca do teu riso 
A emergência dos silêncios 
O rumor de noite dos teus cabelos 
O rasto da tua ausência

Luis Rodrigues

domingo, 30 de novembro de 2008

Falo ou não falo?

Falo. Não digo nada.
Ninguém me ouve
porque estou calado.
.
Digo, mas não falo nada.
Quem me ouve é surdo.
E eu, dizendo, estou calado.
.
Calei-me p'ra não falar
pois falando
não digo nada.
.
Mas o pior s'ta p'ra vir.
quando não conseguir
dizer nada.
.
pacovillanova e RT
30/11/08

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O mistério do mundo,...

O mistério do mundo,
o íntimo, horroroso, desolado,
verdadeiro mistério da existência,
consiste em haver esse mistério.
....
Não é a dor de já não poder crer
que m’oprime, nem a de não saber,
mas apenas completamente o horror
de ter visto o mistério frente a frente,
de tê-lo visto e compreendido em toda
a sua infinidade de mistério.
....
Quanto mais fundamente penso, mais
profundamente me descompreendo.
O saber é a inconsciência de ignorar...
.
Só a inocência e a ignorância são
felizes, mas não o sabem. São-no ou não?
Que é ser sem o saber? Ser, como a pedra,
um lugar, nada mais.
....
Quanto mais claro
vejo em mim, mais escuro é o que vejo.
Quanto mais compreendo
menos me sinto compreendido. Ó horror
paradoxal deste pensar...
....
Alegres camponesas, raparigas alegres e ditosas,
como me amarga n’alma essa alegria!
.
Fernando Pessoa

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Criação de Impérios


Como sabemos, os Estados Unidos da América são uma Nação nova, criada num momento em que no mundo abundava uma ambição desmedida, inigiada por nós, Portugal Nação, com a conquista de novos rumos que nos conduziriam ás especiarias do Oriente.
Como também sabemos, os EUA orgulham-se de ser uma Nação livre, o País das Oportunidades, onde o Governo procura, muitas vezes indelicadamente, salvaguardar os interesses dos seus cidadãos.
Esquecemo-nos porém que, apesar de elegerem um Afro-Americano para Presidente, o que é, a meu ver, um acto louvável pois desta forma assistimos ao pleno direito à diversidade muticultural, no entanto, gostaria de ver no futuro, possibilitar e apoiar a população nativa americana, que ao longo dos tempos tem sido segregada, para que estes possam, e com o verdadeiro direito, eleger um Presidente para o seu País uma vez que, na minha opinião, são estes os verdadeiros herdeiros das terras dos seus antepassados.

Do Blogue Sem Moralidades.blogspot.com
12/11/2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Temos...

Temos, todos que vivemos,
uma vida que é vivida
e outra vida que é pensada,
e a única vida que temos
é essa que é dividida
entre a verdadeira e a errada.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

E eu...

E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pensamentos

Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?

David Mourão-Ferreira

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O Pajem

Sozinho de brancura, eu vago ---Asa
de rendas que entre cardos só flutua...
---Triste de Mim, que vim de Alma p'rà rua,
e nunca a poderei deixar em casa...

Paris, Novembro de 1915
Mário de Sá-Carneiro

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Nona Sinfonia

É por dentro de um homem que se ouve
o tom mais alto que tiver a Vida
a glória de cantar que tudo move
a força de viver enraivecida.

Num palácio de sons erguem-se as traves
que seguram o tecto da alegria
pedras que são ao mesmo tempo as aves
mais livres que voaram na poesia.

Para o alto se voltam as volutas
hieráticas sagradas impolutas
dos sons que surgem rangem e se somem.

Mais de baixo é que irrompem absolutas
as humanas palavras resolutas.
Por deus não basta. É mais preciso o Homem.

José Carlos Ary dos Santos

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Música de Verão

E como é tempo de praia, sol e calor, muito calor, porque não relaxar ao som da melhor música internacional de Verão? CLIQUE AQUI e desfrute da melhor selecção, preparada por mim, pensando em si!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Grandes são os desertos...

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedra ou tijolos ao alto
que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes –
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
.
Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.
.
Não tirei bilhete para a vida,
errei a porta do sentimento,
não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em véspera de viagem,
com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
hoje não me resta (à parte o incómodo de estar assim sentado)
senão saber isto:
Grandes são os desertos, e é tudo deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida.
.
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem).
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
para adiar todas as viagens.
para adiar o universo inteiro.
.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.
.
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro.
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
.
Mas tenho que arrumar a mala,
tenho por força que arrumar a mala,
a mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
a ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, o destino.
.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas. A
cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
e que os desertos são grandes e tudo é deserto,
e qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei-de arrumá-la e fechá-la;
hei-de vê-la levar de aqui,
hei-de existir independentemente dela.
.
Grandes são os desertos e tudo é deserto.
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
.
Mais vale arrumar a mala.
Fim.
.
04/Outubro/1930
.
Álvaro de Campos

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Um pouco mais...

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
num grande mar enganador de espuma;
e o grande sonho despertado em bruma,
o grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minhalma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!


De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
e mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Listas de som avançam para mim a fustigar-me
em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me?...

Os braços duma cruz
anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...

Mário de Sá-Carneiro

terça-feira, 17 de junho de 2008

A injustiça avança hoje a passo firme

A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nòs queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga?
De nòs
De quem depende que ela acabe?
Também de nòs
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã

Bertold Brecht

sábado, 31 de maio de 2008

Procura a maravilha

Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Não tenho nada neste momento

Não tenho nada neste momento
um pensamento uma ideia
sinto-me num Convento
onde o nada me alumia.
.
Nem que pensar queira
alguma coisa de certo
minha mente é uma eira
que de trigo me deserto.
.
Tudo o que não sou agora
é tudo de minha vontade
não sou mais que a aurora
de um mito na posteridade.
.
Quando penso que não penso
se acende uma luz
do nada um pensamento
que me transforma e conduz.
9/10/95

domingo, 4 de maio de 2008

Chove

Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira

domingo, 27 de abril de 2008

Perguntam-me quem és

Perguntam-me quem és.
Que te vejam
como os lírios do meu jardim.
Que te admirem como um pássaro
a voar no infinito.
Que te sintam como a água
a correr numa cascata.
Que te beijem com o eco
do som numa colina.
Que te toquem
como a cítara dos deuses.
Que te amem
como se ama a Natureza.
14/12/95

terça-feira, 22 de abril de 2008

Quero ter uma emoção

Quero ter uma emoção.
Sentir algo por alguma coisa.
Preencher o meu vazio
com átomos revigorantes.
Descobrir uma sensação
que nunca tivesse existido
na realidade da minha irrealidade.
Ver alguma coisa que me faça sorrir.
Sentir tanto outra que me faça chorar.
Acordar cosmicamente no meu mundo
num impulso,
como a terra e o sistema solar.
Sentir algo que passa a fazer parte
do infinito e imortal.
Acordar uma verdade já existente.
14/12/95

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Passos simbólicos

Passos simbólicos
amores diabólicos
magia, superstição
bruxedo, destruição.
.
Toda esta ignorância
é maldita e triste
viver sempre na ânsia
num mundo que não existe.
.
Gostar de fazer mal
é natural mas é defeito
no mundo o que é fatal
a lei da causa e efeito.
.
Não faças aos outros
o que não queres receber
tua casa em escombros
se é o que queres ter.
5/12/95

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Sou uma pessoa confiante

Sou uma pessoa confiante
o que penso torna-se realidade
sinto-me rejubilante
porque aceito a Verdade.
.
De tudo o que tenho vontade
o aceito dentro de mim
seja por força ou por deidade
acontece-me mesmo assim.
.
Não há barreiras na vida
nada é impossível
acredito sem medida
que é possível o incrível.
.
Para alguma coisa fazeres
deves pensar primeiro
acredita que para o seres
tens que o ser por inteiro.
8/10/95

domingo, 23 de março de 2008

Sou o amor e o engano

Sou o amor e o engano
e outras coisas fatais
coisas que causam dano
coisas boas e algo mais.

Sou duas coisas na vida
a bondade e a maldade
uma esperança perdida
o mundo e a verdade.

De tudo o que a vida tem
o que vivo é dualidade
porque a natureza contém
bem e mal por vontade.

O que tenho é que julgar
o moral e o imoral
porque tenho que contar
que um destes é fatal.

5/10/95

terça-feira, 18 de março de 2008

Sabedoria popular

.
Os maiores triunfos são aqueles que aceitam o maior perigo.
.
O homem prudente é aquele que conhece os outros.
.
O último a rir é o que ri melhor.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Para a beleza quero olhar

Para a beleza quero olhar
o sofrimento esquecer
de verdade quero amar
a vida a acontecer.
.
A vida tem coisas belas
a vida tem coisas más
tem coisas que eu sem elas
da vida não era capaz.
.
Tristeza e desapontamento
por vezes nos acontece
mas como por encantamento
o que é belo não perece.
.
Canto o que é belo do mundo
como uma orquídea ou uma rosa
não tem topo nem fundo
é um poema ou uma prosa.
5/10/95

sábado, 8 de março de 2008

Jogar com as palavras

Jogar com as palavras
é assunto de interesse
umas que são louvadas
outras que o não acontece.

Estuda bem o que dizes
não fiques envergonhado
porque ao dizer o que sabes
não fazes mais que o indicado.

Pensa sempre que a pensar
é que a lição se aprende
precisas também julgar
a vida à tua frente.

De ti dá à vida o máximo
é com ela que aprendes
com ela podes ir ao cimo
do topo do monte das verdades.
3/10/95

terça-feira, 4 de março de 2008

Poder saber pensar! Poder saber sentir!

" Sentir é uma maçada ". Estas palavras casuais de não sei que conviva a conversa de um minuto ficou-me sempre brilhando no chão da memória. A própria forma plebeia da frase lhe dá sal e pimenta.
.
.
Criei-me eco e abismo, pensando. Multipliquei-me aprofundando-me. O mais pequeno episódio - uma alteração saindo da luz, a queda enrolada de uma folha seca, a pétala que se despega amaralecida, a voz do outro lado do muro ou os passos de quem a diz junta aos de quem a deve escutar, o portão entreaberto da quinta velha, o pátio abrindo com um arco das casas aglomeradas ao luar - todas estas cousas, que me não pertencem, prendem-me a meditação sensível com laços de ressonância e de saudade. Em cada uma dessas sensações sou outro, renovo-me dolorosamente em cada impressão indefenida.
Vivo de impressões que me pertencem, perdulário de renúncias, outro no modo como sou eu.
.
Do " Livro do desassossego "
Bernardo Soares

domingo, 2 de março de 2008

Quando me sinto inseguro

Quando me sinto inseguro
eu julgo que permaneço
a escalar um muro
sem final e sem começo.

Quero olhar para cima
e é nada o que vejo
minha vida é um enigma
em cujo papel eu sobejo.

Quero olhar para baixo
e sofro de tonturas
a minha mente relaxo
do meu medo das alturas.

Parece que fico no meio
duma emoção ou dum pensamento
pois tudo aquilo que creio
minha vida é um tormento.
03/10/95

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Serás tudo serás nada

Serás tudo serás nada
Serás tudo o que quiseres
não querer nada é liberdade
mas não é possível viveres.`

Sê aquilo que encontras
no acordar matinal
dá à vida o teu retracto
tal imagem que é fatal.

Não procures o que não entendes
e também o que não queres
faz da vida a tua escola
que ela faz com que prosperes.

Aceita sempre o que aparece
como se fosse sem igual
o que conta é que te interesse
a vitória no final.
29/9/95

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

As crianças são...

As crianças são como
as flores do meu jardim.
Amo-as na necessidade
de mim próprio.
Trato-as com o carinho da água
nas suas folhas.
Imito-as como se fosse eterno.
Nelas vejo o entendimento.
Alimento as suas raízes
tal planta sedenta.
Quero-as como se eu fosse
alguém com quem brincar.
Procuro nelas a perfeição.
Vivo-lhes a pureza.
29/9/95

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Quero ser uma planta

Quero ser uma planta florida
um cravo uma rosa uma urtiga
um suspiro da vida
uma natureza antiga.
..
Ser como uma macieira
que dá fruto todos os anos
uma espiga de trigo na eira
um joio que causa danos.
.
Ser como a carqueja e o azevinho
que aqueça e embleze
como as uvas e o vinho
que o sangue arrefece.
.
Como um pinheiro que cresce
no monte da minha aldeia
em que a vida se esquece
à luz duma candeia.
3/10/95

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Fizeram templos

Fizeram templos, castelos
criaram domínios.
Escravizaram
mataram
violaram.

Construíram países,
impérios
riquezas.
Passaram os tanques
espadas, canhões
sobre os inocentes.

Fizeram-se deuses, faraós
napoleões
reis das histórias antigas
de embalar.
Criaram palavras
emoções
leis e contradições.

Dividiram o planeta
em variadas ilusões
pensaram que poderiam
dividir o mundo em dois.

1/10/95

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O poema da vida

Fazer da vida um poema
é ao que me dedico
aquilo que tenho por lema
é que de ideias sou rico.

Viver as inspirações da vida
é de tudo o que é melhor
é uma ilusão perdida
depois de ter sido a maior.

Nasce e morre um pensamento
o que foi finou-se
o que restou do momento
é passado e acabou-se.

Vivemos de baixos e altos
de barreiras e vitórias
que me parecem planaltos
que para mim são glórias.

2/10/95

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Um pouco de história

As corridas de Vila Real nos seus primórdios.
Saída da Rua Direita passando pelo Banco de Portugal em direcção ao Jardim da Carreira.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Aqui estou...

Aqui estou, recolhido em mim
tentando encontrar-me...

O silêncio em mim
boceja em descontentamento...

A voz que ouço
é um sussurro distante
da necessidade de mim
em mim mesmo.

Que luz procuras?

Que sombras te alumiam?

Que natureza te traz por cá?

Que angústias
nos passos alegres que dás?

Que causa impões no que és?

Que efeito
perfeito ou imperfeito
troveja na tua realidade?

És tu em tudo o que és?

Vês o espelho que te reflecte
a ressoar no teu mundo subjectivo
fazendo vibrar o teu mundo envolvente?

Tu és em ti a realidade presente!
.
20/05/2003

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O meu destino...

O meu destino foi pertencer
ao que me foi destinado.
Não fui mais que uma obra do meu passado.
Para vir ao mundo não fui julgado
mas desejado.
Quiseram-me por necessidade.
Porque fui..., foi o maior dos cansaços.
30/9/95

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Vou fumar um cigarro

Vou fumar um cigarro.

Pôr em prática
uma inconsciência
de mim próprio.


Por um lapso vou ter a sensação
de uma indigência e verdade mental.

Aceito a liberdade
sendo escravo de um pensamento
de uma sensação.

Acende-se a minha necessidade
de um mundo,
que a minha irracionalidade
determina.

Satisfaço a minha avidez
de maneira que desconheço.

12/9/95

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Gostava de ser político

Gostava de ser político
na palavra a demagogia
ser um certo partido
minha vida dia a dia.

Ser um Marx ser um monstro
um promotor de ideias
um mundo que eu encontro
na vida de todos os dias.

Dizer o que se tem
aceite por verdadeiro
aquilo que se desdém
dizê-lo o tempo inteiro.

Dizer que sou o melhor
e que posso ser presidente
o meu partido é o maior
a governar toda a gente.

3/10/95

domingo, 27 de janeiro de 2008

Anjo da Guarda

Voltei a cair.
voltei a ver as ilustres lágrimas
virem absorver-me de dor e sofrimento .
nos subúrbios do inferno que vivia dentro de mim ,
palavras contaminadas de ódio ,
batalhavam todas as horas , todos os minutos , todos os segundos
para atingir e concretizar com sucesso e maldade
um único objectivo de me ver morrer ,
pela pessoa ,
a quem eu teimava dedicar a minha vida .
um difícil
ajuste de contas que eu próprio criei ,
sem pensar .
estas , convidavam para o meu dia
uma angústia feia de se ver ,
e um choro condenado
que se libertava quando queria e bem lhe apetecia .
quando jamais se pensava ,
uma linda voz me atraiu novamente .
aquela que uma vez me deu a mão ,
me levou para caminhos elegantes de alegria ,
me fez sentir o quanto é bom alcançar o auge da felicidade .
trouxe com ela ,
um lindo apagador apaixonado ,
que conseguiu
esconder o passado e fazer-me acreditar no futuro .
Sem dúvida ,
que introduziu nesta cabeça
umas séries de filmes impossíveis de viver ,
mas construiu ,
uma deliciosa certeza de que se pode viver só por amar .
só por te amares a ti ,
só por amares quem te faz sentir bem ,
só por teres o prazer de amar .

António Ribeiro @ 2008

17 anos

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Existo...

Existo na subjectividade.
O que sou é subjectivo.
Não sei se o que penso
é o pretendido.
Sou o incompreendido.
.
A minha consciência
é a incompreensão de tudo isto.
Digo o que não sou.
Faço o que não digo.
Vejo, sem saber se está
compreendido
por vezes, uma ilusão do perdido.
Crio uma imagem do conhecido.
Reajo de acordo ao favorecido
ao querido e não querido.
.
Escrevo o que não digo...
28/9/95

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Ela é bela


Ela é bela
um encanto.
Se eu só penso nela
é porque a amo tanto.
.
Olhos cor do céu
das nuvens e do tempo
um olhar que é o meu
sempre no pensamento.
.
Os seus lábios e seus beijos
e toda a sua afeição
alimentam-me os desejos
satisfazem-me o coração.
.
O seu corpo é o horizonte
de tudo aquilo que sou
aquilo que ela sente
é o paraíso em que estou.
.
Não posso viver sem ela
minha querida e amada
eu quero viver com ela
senão a vida está acabada.
1/10/95

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Poema de amor

Dá-me um anel; mas que seja
como o anel em que cingida
tem gemido toda a minha vida.
Dá-me um anel; mas de ferro,
negro, bem negro, da cor
desta minha acerba dor,
deste meu negro desterro!
.
Dá-me um anel; mas de ferro...
Sempre comigo hei-de tê-lo;
há-de ser o negro elo,
que me prenda à sepultura.
Quero-o negro...seja o estigma,
que decifre o escuro enigma,
duma grande desventura.
.
Dá-me um anel; mas de ferro,
que resista mais que os ossos
dum cadáver aos destroços
do roaz verme do pó.
Entre as cinzas alvacentas,
como espólio das tormentas
apareça o ferro só.
..
E o teu nome impresso nele,
falará dum grande amor,
nutrido em ânsias de dor,
pelo fel da sociedade...
Que teu nome nele escrito,
nesse padrão infinito,
vá comigo à Eternidade
.
Camilo Castelo Branco

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

As Rosas

As Rosas amo dos jardins de Adónis,

essas volucres amo, Lídia, rosas,

que em o dia em que nascem,

em esse dia morrem.

A luz para elas é eterna, porque

nascem nascido já o sol, e acabam

antes que Apolo deixe

o seu curso visível.

Assim façamos nossa vida um dia,

inscientes, Lídia, voluntariamente

que há noite antes e após

o pouco que duramos.

Ricardo Reis

sábado, 12 de janeiro de 2008

Não a Ti, Cristo


Não a Ti, Cristo, odeio ou menosprezo
que aos outros deuses que te precederam
na memória dos homens.
Nem mais nem menos és, mas outro deus.

No Panteão faltavas. Pois que vieste
no Panteão o teu lugar ocupa,
mas cuida não procures
usurpar o que aos outros é devido.

Teu vulto triste e comovido sobre
a 'steril dor da humanidade antiga
sim, nova pulcritude
trouxe ao antigo Panteão incerto.

Mas que os teus crentes te não ergam sobre
outros, antigos deuses que dataram
por filhos de Saturno
de mais perto da origem igual das coisas.

E melhores memórias recolheram
do primitivo caos e da Noite
onde os deuses não são
mais que as estrelas súbditas do Fado.

Tu não és mais que um deus a mais no eterno
não a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.
Panteão que preside
à nossa vida incerta.

Nem maior nem menor que os novos deuses,
tua sombria forma dolorida
trouxe algo que faltava
do número dos divos.

Por isso reina a par de outros no Olimpo,
ou pela triste terra se quiseres
vai enxugar o pranto
dos humanos que sofrem.

Não venham, porém, 'stultos teus cultores
em teu nome vedar o eterno culto
das presenças maiores
ou parceiras da tua.

A esses, sim, do âmago eu odeio
do crente peito, e a esses eu não sigo,
supersticiosos leigos
na ciência dos deuses.

Ah, aumentai, não combatendo nunca.
enriquecei o Olimpo, aos deuses dando
cada vez maior força
p'lo número maior.

Basta os males que o Fado as Parcas fez
por seu intuito natural fazerem
nós homens nos façamos
unidos pelos deuses.

Ricardo Reis

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Que Futuro?

Até há bem pouco tempo este lugar estava rodeado de giestas e silveiredo alto não deixando ver nada para além de 50 metros. ( fazia este caminho como atalho quando estudava no liceu e foi sempre mato de giestas altas sendo ao longo dos tempos o local próprio para se recolher estacas para os feijões, uso e costume do pessoal da zona). Pobre Santa que durante este tempo todo só podia ver o Pioledo entre as árvores e sabe-se lá quantas rezas teve e tem que fazer pelo que lá se passa. Mas agora o sofrimento aumentou. Dum momento para o outro, a Senhora de Lurdes, como é chamado o antigamente possível culto, que começou a ser construido nos princípios do século vinte, ficando-se pelo Altar-Mor , o culto da Santa e os perfeitos muros e portões à volta, tendo sido também em tempos palco da festa à santa que acabando levou o culto mariano ao abandono, dum momento para o outro dizia eu, este lugar passou de um espaço coberto de árvores (talvez o abandono por várias razões não fosse assim tão anti-natural), para um lugar sem vestigios do que estávamos habituados. Para mim não há problema que esteja limpo e que a Santa agora possa ver o que se passa ao seu lado, mas digam-me por favor que aquele lugar vai ser transformado num local de lazer, de paz e relaxamento, (COMO SEMPRE SE OUVIU FALAR POR AQUI) com todas as condições civilizadas de cidade civilizada do século vinte e um. Não me venham com outras artimanhas!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Balanço de visitas

Obrigado a todos!

É com prazer que lhes venho comunicar os resultados de 7 meses de trabalhos colocados nos meus blogues, cujo início foi dia 11 de Junho de 2007, quando me dispus a criar o blogue “ pacovillanova “ um blogue que é dirigido ao plano intelectual com textos, poemas e comentários meus e de outros autores, e ainda, as mais belas imagens de paisagens e pessoas ou temas famosos. Como não podia deixar de ser criei logo a seguir o blogue “ Loja do Santos “ um blogue dedicado à exposição de trabalhos populares e tradicionais, em literatura, imagem e vídeo. Também coloquei á sua disposição o blogue “ Operemilagres “ um pouco de meditação que penso necessária. Para além destes e ao longo destes sete meses coloquei O “ Paço Tube “ um blogue onde pode ver os mais variados vídeos de festas populares, actividades culturais, viagens, lugares e pessoas. Porque gosto de fotografia introduzi as minhas fotografias no “ Paco Olhares “. Aproveitando a Net para propagar Cultura: “ Politica Social “ “ A Tradição “ “ Poesia de Pessoa “. Para pensar um pouco numa coisa diferente “ O Desvenda Mistérios “. Recordando outro século: “ Paço Encyclopedia das Famílias”. E por fim, para relaxar porque descansar também é preciso, “ Paço TV Online “ Grátis no seu PC e uma variadíssima selecção musical no “ Paco Radio Blog “ a rádio que você controla. Pode visitar estes blogues na barra lateral de todos os blogues.

.
Resultados de visitas entre 11/06/2008 – 09/01/2008

Blogues no Blogger: 7903 visitas

Vídeos

.Início 25/06/2007

.
Vila Real Promo: 1594
Rally Sabrosa: 929
Passar em Vila real: 726
Rali dos Torneiros: 553
Viagem a Vila Real: 347
Comboio Régua: 316
Marchas Sto António: 232
Descer o Alvão: 227
Procissão Sra Pena: 221
Festa Folhadela: 216
Vila Real: 106
Na feira: 86
O Ricardo: 85
Aeródromo: 84
Tuna Ao Toque: 82
Marchas II: 76
Banquete: 69
Jogo do Cepo: 66
Preparar churrasco: 65
O Mário e o Mário: 65
Marchas das duas Bilas: 59
Brincando com a música: 56
Ela dacucu: 54
O Mr Chico: 53
Passar em Vila real II: 45
As senhoras e Senhores: 43
O Conde e o seu copo: 31
Tuna II: 29
Dog’s Symphony: 28
O Rafael: 21
O Tónio: 21
Tuna Ao Toque III: 19

.Colocados: 32
Visitados: 6622 vídeos vistos
.
Nota: Apesar dos números serem singulares e modestos, quando comecei a escrever blogues, não sabia o prazer que daria verificar um dia que o nosso trabalho, aparte do orgulho que representa ser talvez apreciado, significa muito mais do que isso. Representa que todos nós também queremos conhecer os nossos semelhantes e que nunca se sabe o quão prolifero se pode tornar esta troca de ideias, através da sua exposição natural e desprendida de naturezas banais e preconceituosas, resultando muitas vezes em atitudes positivas. Penso ainda, que, através desta dinâmica poderemos melhorar o nosso meio cultural, o meio-ambiente, libertando-nos assim e ajudando ao mesmo tempo os outros a libertarem-se. Um muito obrigado e continuem a visitar os meus blogues!

Pacovillanova

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Luis Pacheco



Domingo de manhã fui com a Amada para a praia nos rochedos junto do mar vi pela primeira vez o seu corpo nu feito de espuma e onda. Ficámos calados (como quem está só) escondidos de todos à beira-água (como quem a ama, apetecendo-a como os suicidas), o seu corpo cheirava a maresia (cheiraria?). Numa grande doidice de beijos e carícias leves beijei seus pés de espuma macia… em lírica, diria: pés de sereia; em realística, diria: pés de virgem (feia); em novelística, da antiga, diria: pés de deusa brinca brincando na areia; em novelística, novíssima: patitas catitas de centopeia…, beijei seus pés; por ali mesmo comecei a beijar. Caprichos de libertino: o corpo da amada ficou lá nos rochedos à beira-água onde infatigável desfeito liquefeito brisa de maresia pairando no bafo quente do ar e eu guardo no meu quarto na minha colecção mais um sexo de donzela conservado em álcool e memória, uma mistura fácil de três por dois, tintos.



de “ Os Namorados”

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ao meu lindo Portugal

Ajoelha-te em contrição povo da m'nha querida nação

pegada de dinossauro rosnando à sopa entornada

pela velocidade de um olhar para o futuro

amiba em coma resumindo o vazio cheiro dos hipermercados

(espelhos de nós lençóis de cal tartarugas da época)

milhafres de vidro assustados pelo tempo

cabelos de quem não vem não vai não quer vestir mais nada senão

o acaso

o incerto

o incerto o sorriso vesgo ao vestibular sismo de aparições.

Ajoelha-te, que os guardanapos espreitam preparando-te o fastio

da dor do açúcar a engarrafar as artérias.

E ainda dizem que essa tremura é coração....

O tanas... isso é falta de aguardente e de porrada!

Ó país da cínica decisão na sacristia

onde a mão que derrota na bisca não vence na vida

país que se veste para sair à rua

fato de D

fato de Domingo em saliente crise de versão.

Ò país de uma só orelha que ouves apenas o que te interessa
e passas a vida a farejar os outros com a narina mais casta

ruína do cínico resumindo o engodo que ser português é viver

num Portugal mais pequeno que as fronteiras.

O país do panfleto ressona

com a gordura a transbordar das sobrancelhas em aspa.

POEMAS COM DEDICATORIA A UM AUTO RETRATO

Ricardo Almeida

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Começa hoje o ano

Nada começa: tudo continua.
Onde 'stamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.
Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.

Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento.
Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.
Fernando Pessoa

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Bom Ano para os Jovens Poetas

OS CONSELHOS MAIS SINCEROS PARA JOVENS POETAS

Dói-te o fígado, não bebas
que a poesia dispensa mais uma dor como essa. Já lhe bastam os arrepios e as unhas carpindo os cabelos brancos.

Não é tragédia escrever poesia, assim como não o é escrever: valem mais os braços que os abraços.

Quando te pedirem para espreitares para cima, não queiras logo ver a lua. Antes da lua há as nuvens. Passa antes por elas e já agora limpa os óculos.

Não queiras ter tudo de uma vez que uma mão não chega para os rebuçados. Com a outra, limpa as cascas.
Não atires o pau ao gato. Qualquer pessoa inteligente sabe que ele, realmente, não morreu. Alem disso, quem não gosta de animais não gosta de estar sozinho. Um dia precisará de calmantes para adormecer.

Quem te disse que se nasce com a poesia? É mentira. Não há beleza alguma na placenta.

Se queres ser poeta, evita os fins-de-semana. Evita pensar neles e durante eles.
Ricardo Almeida

domingo, 30 de dezembro de 2007

Boas entradas!

Pacovillanova
deseja a todos os seus leitores,
colaboradores e amigos
um Óptimo Ano de 2008

sábado, 29 de dezembro de 2007

Sou Eu!

A Laura Chaves
.

Pelos campos de fora, pelos combros,
pelos montes que embalam a manhã,
largo nos meus rubros sonhos de pagã,
enquanto as aves poisam nos meus ombros.
.
Em vão me sepultaram entre escombros
de catedrais de uma cultura vã!
Olha-me o loiro Sol tonto de assombros,
e as nuvens, a chorar, chamam-me irmã
.
Ecos longínquos de ondas... de universos...
Ecos de um mundo... de um distante Além,
deonde eu trouxe a magia dos meus versos!
.
Sou eu! Sou eu! A que nas mãos ansiosas
prendeu da vida, assim como ninguém,
os maus espinhos sem tocar nas rosas!
.
Florbela Espanca

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

sábado, 22 de dezembro de 2007

Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.
.
Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.
.
Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.
.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Comemorações

Na Escócia celebra-se uma tradição que consiste numa dança de homens armados de cornos de veado de grande envergadura, sendo acompanhados com música tradicional. Indagados os intervenientes sobre a proveniência do espectáculo, responderam desconhecê-la, mas que, contudo, continuariam a comemorar o dia, só por comemorar. Penso que em Portugal se verifica bastante este facto.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Ainda sobre a cimeira com África

Quando este " Verdadeiro Senhor ", propagador de uma mensagem de Paz e Esperança, visitou Portugal, o senhor primeiro ministro José Sócrates, não arranjou tempo para o atender, escondendo-se atrás das costas do Senhor Diogo Freitas do Amaral, que tem cara de padre e talvez o foi desdenhar, e do Sr. Dr. Mário Soares, que até o cachecol branco não soube colocar.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

E se..., em vez de...

-E se a Europa, em vez de se reunir com tiranos que não respeitam as condições ditadas pela velhinha Declaração dos Direitos do Homem, fossem a cada um desses países, e obrigassem, diplomaticamente, esses déspotas, a respeitar os Direitos Humanos?
-E se a Europa, em vez de se banquetear com Príncipes de contos de fadas, arrogantes, orgulhosos e ditatoriais, em cujos países a miséria e o sub-desenvolvimento persistem, juntasse esforços e utilizasse a coação através do apoio humanitário e moral, para fazer essas cabeças compreender, que a sua fortuna pessoal, fica tão célebre na história tanto quanto a miséria que impõem ao seu povo?
-E se a Europa, em vez de cumprimentar os auto-proclamados imperadores africanos que mantêm milhares de opositores nas cadeias a ser aterrorizados e até assassinados, se unisse e, se os esforços diplmomáticos não resultassem, utilizasse a força para assim forçá-los a dar aquilo que, para muitos desses países, será a primeiro relance de liberdade merecida, um louvor a um povo que foi historicamente calado pela infeliz colonização, e agora está sendo calado por um elemento oriundo do seu próprio povo, que, aproveitando-se do pouco desenvolvimento, que pela sua não tão distante história pode ser reconhecido, o ataca em sua própria casa, destituindo-o do pão e da alegria da vida, roubando as riquezas naturais do seu país, riquezas estas que deveriam ser deixadas em legado para as gerações futuras, para assim poderem apoiar o desenvolvimento, sendo em vez disso canalizadas para os cofres do seu Déspota, que, com um um orgulho e avidez excessivas e dementes, e acima de tudo, sem moral nem constrangimentos, esbanja com os seus e em superficialidades, o dinheiro do leite que devia alimentar as crianças do seu povo?
- Alimentem as crianças de África!
Medite sobre isto:
- Em Nairobi, Quénia, existem actualmente cerca de 120.000 crianças a viver na rua, sem qualquer tipo de apoio, obrigando-os a pedir e a roubar para meter alguma coisa na boca. O seu passatempo é a snifar cola.
F.Santos

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Há quem passeie...

Há quem passeie algemado
a princípios de ignorância
e olhe com relutância para o passado de todos
quantos foram algemados.
Para o presente, olhos eivados d'inconsciente desprezo.

Os «anjos» aparecem sempre,
com o ar cãndido
das pombas que voam anilhadas e perdidas
nas tempestades
criadas artificialmente.

Há nisto um conformismo...
E, como personagens a passear
pelos jardins desertos, passam.
Criam-se situações de fogos fátuos.
Nem sequer assustam as crianças.

Os «anjos», continuam
a passear.
Ao menos, tivessem consciência
dos olhares cruzando-se; distantes nas realidades
de enganar...
Crianças...

Os palhaços, contam-se pelos dedos.
Maquilhados por natureza,
sentem
e vivem sôfregamente
e pintam-se garridamente.

Vamos rir.
Tudo está diferente, hoje.
E todos crianças,
vamos rir nos tumultos,
nas gargalhadas fáceis.

Olhares de trapezistas. Agudos.
O mundo d'artista...
Já vira a Rosa equilibrista?
Arame que a sustenta.
Corda de violino.
Tensa.

Dá-me a lição de magia.
Faz-me desaparecer entre as árvores,
cobre-me e obriga-me a saltar
vinte vezes as poldras.
Dá-me condições de poder trepar.

Extraído do livro
"Ensaio e Testemunho"
de Fernando Amaral

Nota: Coloquei este poema no meu blogue em Homenagem ao Sr. Dr. Otílio de Figueiredo, pois quando comprei este livro na sua livraria, trazia este e outros poemas assinalados, o que me levou a crer que tinha sido o saudoso activista a fazê-lo, ( devo dizer que foi o próprio que me atendeu e me sugeriu este livro para musicar, pois tinha sido essa a intenção que me levou a entrar na sua loja), implicando isto para mim, a criação de um maior valor sentimental e intelectual em relação à leitura do mesmo livro e à descoberta de um Autor Vila-realense, o que para mim foi uma benéfica novidade.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Já Bocage não sou!... À cova escura

Já Bocage não sou!... À cova escura
meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
brade em alto pregão à mocidade,
que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
rasga meus versos, crê na eternidade!

Bocage

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Em louvor do grande Camões

Sobre os contrários o terror e a morte
dardeje embora Aquiles denodado,
ou no rápido carro ensanguentado
leve arrastos sem vida o Teuco forte.

Embora o bravo Macedónio corte
coa fulminante espada o nó fadado,
que eu de mais nobre estímulo tocado,
nem lhe amo a glória, nem lhe invejo a sorte.

Invejo-te, Camões, o nome honroso;
da mente criadora o sacro lume,
que exprime as fúrias de Lieu raivoso;

os ais de Inês, de Vénus o queixume,
as pragas do gigante proceloso,
o céu de Amor, o inferno do Ciúme.

Bocage

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Homenagem a Miguel Torga

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
e que nele posso navegar sem rumo,
não respondas
às urgentes perguntas
que te fiz.
Deixa-me ser feliz
assim,
já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
o nosso amor
durou.
Mas o tempo passou,
há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

terça-feira, 20 de novembro de 2007

De tarde


Naquele “pic-nic” de burguesas,
houve uma coisa simplesmente bela,
e que, sem ter história nem grandezas,
em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
foste colher, sem imposturas tolas,
a um granzoal azul de grão de bico
um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
nós acampámos, indo o sol se via;
e houve talhadas de melão, damascos
e pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
dos teus dois seios como duas rolas,
era o supremo encanto da merenda
o ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde

sábado, 17 de novembro de 2007

Domina ou Cala

Domina ou cala.

Não te percas, dando
aquilo que não tens.

Que vale o César que serias?

Goza
bastar-te o pouco que és.

Melhor te acolhe a vil choupana dada
que o palácio devido.

Ricardo Reis

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Rádio Grátis

Gosta de ouvir rádio e não consegue sintonizar uma rádio a seu gosto?

Acabaram-se os seus problemas.

Clique aqui Paco Radio Blog
e disfrute de uma rádio feita à sua medida!

Guarde o endereço no seus favoritos!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Mais provérbios

Ande o fim por onde andar no Natal vem cá parar.

A coragem mais rara e necessária é daquele
que todos os dias suporta sem testemunhos
nem louvores os contratempos da vida.

A saudade é como o sol de Inverno
ilumina sem aquecer.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Os blogues do Zé


Se se interessa por tradição, literatura e cultura, clique aqui
Se não encontrou ainda uma rádio feita à sua maneira e gosto, clique aqui, e escolha o género de música que gosta de ouvir. Rádio para todos os gostos

Se quer ver televisão online grátis, clique aqui

Guarde este endereço nos seus favoritos

terça-feira, 6 de novembro de 2007

PACO RADIO BLOG

CHEGOU a - Paco Radio Blog-

Uma RADIO na Internet, a pensar em si.

- Música Nacional e Internacional. Clássicos Soul e música romântica, Rock, hip-hop nacional e estrangeiro, e os Tops da música inglesa e americana. Ouça tanbém:

- AS NOTÍCIAS ACTUALIZADAS DA RADIO COMERCIAL

- e ainda

- OUÇA O SEU HORÓSCOPO ACTUALIZADO diariamente,
lido por um locutor da Radio Cotonete.

Não hesite, clique nesta LIGAÇÃO e disfrute da melhor qualidade musical e informativa que esta radio lhe irá proporcionar.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

As Marchas de Sto António em Vila Real

Coloquei no Youtube o video da actuação do Grupo de Marchas da Freguesia de Folhadela, que desfilou na Avenida Carvalho Araújo, juntamente com outros grupos de outras freguesias circundantes. Clique nesta LIGAÇÃO e disfrute a boa representação do Grupo dessa freguesia.

sábado, 27 de outubro de 2007

O Pastor amoroso

O pastor amoroso perdeu o cajado,
e as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
e de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu.
Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
as grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
a realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem, estão presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.

Alberto Caeiro

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Acabaram as vindimas



Acabaram as vindimas mas fica a sua ideia representada neste rapaz carregando o típico cesto vindímo usado nas encostas do Douro.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Soem os tambores!

Soem tambores.
Nasceu o menino.
Acendeu-se uma luz
do estabelecido.
Acendam-se velas.
Faça-se o jantar.
Festejemos o nascimento
de um desconhecido.
Quem será?
Será Deus, o Diabo?
Será luz ou obscurantismo?
Será livre ou incompreendido?
Será gente ou estupidez
um Rei, Príncipe, Escultor
uma Criada de quarto
ou o Último sucessor?...
28/9/95

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O Portão da "Quinta do Sebastião"


Por incrível que pareça, este portão resistiu como "marco" na história de Vila Nova, antes e durante a implantação da UTAD. Foi durante algum tempo uma das entradas da Quinta da Universidade, e, apesar de ter sido rasgada uma nova estrada por trás dos seus portões, manteve-se ali um símbolo da minha infância e adolescência, aquando dos meus tempos de estudante, em que me levantava muito cedo para ir estudar aí, sentado na sua entrada, que na altura era a Quinta da Sra de Lurdes. Ainda bem que alguém, incógnito para mim, se lembrasse de manter este, para mim, valoroso símbolo. É pena que não se lhe pusesse um novo chapeuzinho.

sábado, 6 de outubro de 2007

No meu mundo...

No meu mundo sou solitário.
Do duelo de minhas aspirações
espirituais e materiais
gerou-se o destino de um Universo profundo.
Não sou sem dúvida,
mais que uma inconsciência de mim mesmo.
Compreendo que nada existe.
Aquilo que eu vejo não é meu, peço-o emprestado.
Transformo-o no que é meu e dou-o de volta.
O meu passado transforma-se em realidade.
Aquilo que fica é um reconhecimento futuro.
Um mundo só meu ergue-se na colina.
4/12/95

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Neste caminho



Neste caminho

do sol que se põe no Marão

vivo sozinho

mas não a solidão.



Os horizontes que vivo

de mais que uma serra

fazem-me sentir cativo

pela beleza desta terra.



Quando olho para as montanhas

que tenho ao meu redor

sinto nas minhas entranhas

a aumentar o ardor.



O ardor das coisas belas.

O ardor das coisas reais.

Um sussurro das estrelas

e das coisas imortais.



Do seu alto sonho voar

nas galáxias me embrenhar

o meu pó por elas espalhar

para a morte enganar.



26/09/2007

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Cantem-se hinos

Cantem-se hinos
faça-se ouvir a música
ranjam-se os tambores.
Chegou o Incriado
o Não-Existente
o Absoluto.
Desceu pelas estrelas
saltimbanco
nas ruas da minha aldeia.
Olhou para mim que o conheço.
Deu-me a mão no entendimento.
Fez de mim o meu herói.
Rasgou as nuvens na compreensão.
Fez-se ouvir comigo.
Criou a minha imagem.
Abram alas e deixem passar
a voz da consciência.
29/9/95

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

A Palavra

Atrás não volta a palavra
é aquilo que eu penso.

Uma vez que seja dada
uma imagem é criada
num espaço que é imenso.

Apagá-la é impossível
No espaço cósmico existe.

Uma vez que foi criada
uma criança foi formada
num mundo que não existe.
1/10/95

sábado, 15 de setembro de 2007

O primeiro e o último

Há o primeiro e o último.
Não sou um nem outro.
Resvalo numa subida
e ao cair me encontro.

Ser o último ou o primeiro
obriga-me a raciocinar
Quando morre um pensamento
foi um primeiro a acabar.

Ser o primeiro ou o último
deve ser o que importa
é que é sempre o último
que tem que fechar a porta.

Deixá-lo entrar em primeiro
é dar-lhe um cumprimento
é dizer-lhe que na vida
ele cumpre entendimento.

Ser o último ou o primeiro
é uma questão de racionalidade
porque o primeiro ou o último
fazem parte da humanidade.
28/10/96

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

PACO DE LUCIA , John McLaughlin , AL DI MEOLA

mediterranean sun dance

Provérbios

Homem prevenido vale por dois.

Há sol que rega e chuva que molha.

Homem velho e mulher nova são filhos até à cova.

Há sempre um testo para uma panela.

Há quem passe pelo bosque
e só veja a lenha para o fogo.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

O meu dia

Levantei-me ás 10 horas tomei o meu nescafé e ouvi umas notícias, e, por volta das 10.30, fui ao banco. Por volta das onze, (mais tarde do que eu previa, mas havia manutenção na segurança do estabelecimento, que resultou em demora extra), saí do banco. Porque era cedo para ir almoçar, juntei o útil ao agradável, e resolvi pegar no meu portátil e ir tomar um café e , ao mesmo tempo, mostrar umas fotos que tirei ontem na Sra da P. das quais já preparei um filme que coloquei na internet, à senhora do café, uma senhora nova e atraente e que tem posto por aqui várias mentes em distúrbio e pela qual eu tenho simpatia e amizade pois entendo a coragem que tem para enfrentar a vida que por vezes nos traz certas dificuldades, pois, dizia eu, a mesma senhora, (que tal como eu gosta de brincar com coisas sérias e que a nossa amizade poderá aparentar, sem ser verdade, qualquer coisa diferente), estava na grande festa ( ...não vou falar no ornamento do andor que tinha 22 metros de altura (segundo ouvi lá dizer), que caiu casualmente pelo seu lado, estando o mesmo andor virado de frente para a capela, na cerimónia de o abanar para cima e para baixo na direcção do sacrário. Vamos chamar-lhe "milagre"o mesmo objecto não ter caído sobre a multidão que se amontoava no adro da mesma capela), e pediu-me para tirar umas fotos ao seu filho e sobrinho que tocam na fanfarra dos Bombeiros que actuou na procissão, e portanto gostaria de vê-las.
Embora não seja crente até gostei da tarde, pois àparte de muitas fotografias e algum video, encontrei lá umas amigas, uma das quais, a que estava com a filha que, por ventura, é muito simpática e divertida gostando também de troçar comigo, me pediu para tirar também uma fotografia ao seu sobrinho.

Acabou por ser uma manhã divertida. Áparte de sentir o calor e simpatia da dona do estabelecimento, ( a tal senhora que vejo comprensivelmente a ser cobiçada por admiradores que se pensam invisíveis, mas que a uma pessoa um pouco experiente deixam antever claramente os seus desejos), apareceram no café uns amigos com os quais eu não conversava há bastante tempo, (pois são como eu ás vezes só se vêem quando estão de férias), a quem mostrei os videos amadores que tenho feito gravando actividades desta zona. Agradou-me ver na sua cara a alegria que expressavam ao se identificarem com as actividades de lazer que eu lhes divulgava.(...). -Poderiam ser melhores um bocadinho, mas assim também serve, pois "vale mais um pássaro na mira que dois a voar" - ouvi comentar.
Conversei também com um senhor cujos filhos eu conheço e convivi nos meus tempos de liceu, sendo informado, que, infelizmente e por infortúnio, a doença levou um deles.
Porque, áparte da má notícia, a conversa com este senhor tornou-se tão amigável, que me esqueci das horas e fui almoçar um pouco mais tarde.
Ao almoço conversei com a minha mãe sobre o facto de ter decidido sair do país, voltando novamente ao outro país onde tenho vivido, pois aqui a vida tem sido bastante ingrata para mim, pois, infelizmente, não me consigo ambientar a uma sociedade que eu penso cultural e mentalmente fraca e, sobretudo, absorta em fracos simbolos ou mesmo símbolos fracassados.
Depois de almoço fui levar o meu sobrinho à cidade. Como tinha determinado a começar a pintar a minha casa, pensei ir antes tomar um café ao café da mesma senhora.
Depois de pedir um café à senhora ( que tem muitos amigos e não me convidou nem tinha nada que convidar a ir com ela ao arraial de ontem), porque estavam umas amigas na esplanada, fui buscar o jornal e sentei-me numa mesa ao lado. Entretanto chegou uma outra amiga que se sentou na minha mesa começando assim uma conversa animada.
Porque não havia nada que fazer, a senhora, a tão desejada, resolveu sentar-se na nossa mesa, recostando-se numa cadeira a meu lado. Como é óbvio, por ter tão boa companhia e porque palavra puxa palavra, acabei por esquecer-me das horas e não ir fazer o que tinha determinado. Por volta das cinco e meia, fui encontrar-me com um amigo e uma amiga, esta uma senhora também muito simpática, que me tinham pedido para ir com eles comprar batatas. Entretanto fui buscar a um restaurante um cd fotográfico sobre uma procissão do ano passado, que fui entregar a um amigalhaço.
Depois disto fui jantar ao meu restaurante habitual, que, a título de curiosidade, tem também uma senhora, a esposa do proprietário, com a qual eu gosto de me rir ao dizer-lhe que a comida não me satisfaz, pondo-a assim nervosa e engraçada. Acho muito bem, pois esta senhora, também simpática, é uma pessoa muito exigente no que faz, não gostando assim que troçem do seu trabalho.
Voltei a casa e liguei a televisão.
Sentindo-me um pouco melancólico, resolvi ir tomar um café ao café que fica a meu lado.
Para satisfação minha, encontrei um primo meu com o qual eu gosto de conversar, pois que é das poucas pessoas que conseguem manter uma mente aberta conseguindo manter o diálogo.
Decorria a nossa já envolvente conversa, quando chegou um senhor, (que para fortúnio dele tem um bom emprego no Estado e por isso talvez pense ou veja em si alguma autoridade), que nos interrompeu a conversa, para me fazer um tipo de perguntas, ás quais só existia a sua resposta, que, por estranho que pareça, (pois, penso eu, nunca notei nele indícios de constrangimentos por algo que eu lhe tenha dito ou feito, pois penso que nunca me cruzei no seu caminho, ou se calhar atravessei, tudo depende do que esteja ou estivesse acontecendo), não me deixando sequer responder, me convidou insistentemente e muito vigorosamente, a voltar para o país que me acolheu e que acolhe os portugueses que têm necessidade, apoiando-se numa dificuldade diplomática em relação à supremacia, (a galinha do rico põe pelo bico, a galinha do pobre quer pôr e não pode), entre estes dois países. É claro que isto me levou a pensar que se tornou óbvio que não posso deixar de excluir a ideia que esta provocação tenha sido premeditada, pois, pela minha experiência, para as coisas que, por qualquer razão, não se conseguem dizer directamente a alguém, a mente humana arranja subterfúgios para não conseguir dizer nada. Só que para nosso mal, as coisas muitas vezes estão declaradas na nossa cara, actos e omissões, e, que eu saiba, ainda não está provada a invisibilidade.
Um pouco triste, mas contudo sorridente pois penso que não há nada inexplicável, conversei um pouco mais com o meu querido primo que esteve sempre a meu lado, e resolvi vir até casa para lhes contar o meu dia, que está quase acabado.
Já agora: " Falar é uma das formas de nos tornarmos desconhecidos" Miguel Torga
Já agora: " Sinto-me feliz porque consigo num dia verificar a dualidade "
10/09/2007
Anónimo
Loading...

Farmácias de serviço em Vila Real

--------------------------------------------------------------------------------------
.........PACO TV ONLINE ........televisão GRÀTIS no seu PC
.
..............paco radio blog ........ rádio grátis no seu PC

........................Gosta de Fernando Pessoa?
--------------------------------------------------------------------------------------