Quarta-feira, 11 de Março de 2009
Porque é que este sonho absurdo
a que chamam realidade
não me obedece como os outros
que trago na cabeça?
Eis a grande raiva!
Misturem-na com rosas
e chamem-lhe vida.
José Gomes Ferreira
Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
A Verdade
A verdade não é aquilo que falo.
A verdade é unica,
Não compreendo a verdade.
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
Não sei.
Quem sou? Não sei.
O mundo é cheio
de infinidades.
O que faço? Não sei.
Entrego-me aos simbolismos.
Sina de ser humano.
Que quero? Não sei.
Encontro o que procuro
nem que seja subjectivado.
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
Mal nos conhecemos
inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
de boca em boca,
um olhar bem limpo
uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
um trabalho sem fim,
um espaço útil, um tempo fértil,
amigo vai ser, é já uma grande festa!
Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008
Disse
A àgua dos teus lábios
O fruto leve dos teus dedos
A sombra macia dos teus seios
A distância rara dos olhos negros
O sussurro quente da tua presença
A violência branca do teu riso
A emergência dos silêncios
O rumor de noite dos teus cabelos
O rasto da tua ausência
Domingo, 30 de Novembro de 2008
Falo ou não falo?
Ninguém me ouve
porque estou calado.
.
Digo, mas não falo nada.
Quem me ouve é surdo.
E eu, dizendo, estou calado.
.
Calei-me p'ra não falar
pois falando
não digo nada.
.
Mas o pior s'ta p'ra vir.
quando não conseguir
dizer nada.
.
pacovillanova e RT
30/11/08
Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
O mistério do mundo,...
o íntimo, horroroso, desolado,
verdadeiro mistério da existência,
consiste em haver esse mistério.
....
Não é a dor de já não poder crer
que m’oprime, nem a de não saber,
mas apenas completamente o horror
de ter visto o mistério frente a frente,
de tê-lo visto e compreendido em toda
a sua infinidade de mistério.
....
Quanto mais fundamente penso, mais
profundamente me descompreendo.
O saber é a inconsciência de ignorar...
.
Só a inocência e a ignorância são
felizes, mas não o sabem. São-no ou não?
Que é ser sem o saber? Ser, como a pedra,
um lugar, nada mais.
....
Quanto mais claro
vejo em mim, mais escuro é o que vejo.
Quanto mais compreendo
menos me sinto compreendido. Ó horror
paradoxal deste pensar...
....
Alegres camponesas, raparigas alegres e ditosas,
como me amarga n’alma essa alegria!
.
Fernando Pessoa
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
A Criação de Impérios
Como sabemos, os Estados Unidos da América são uma Nação nova, criada num momento em que no mundo abundava uma ambição desmedida, começada por nós, Portugal Nação, com a conquista de novos rumos que nos conduziriam ás especiarias do Oriente.
Como também sabemos, os EUA orgulham-se de ser uma Nação livre, o País das Oportunidades, onde o Governo procura, muitas vezes indelicadamente, salvaguardar os interesses dos seus cidadãos.
Esquecemo-nos porém que, apesar de elegerem um Afro-Americano para Presidente, o que é, a meu ver, um acto louvável pois desta forma assistimos ao pleno direito à diversidade muticultural, no entanto, gostaria de ver no futuro, possibilitar e apoiar a população nativa americana, que ao longo dos tempos tem sido segregada, para que estes possam, e com o verdadeiro direito, eleger um Presidente para o seu País uma vez que, na minha opinião, são estes os verdadeiros herdeiros das terras dos seus antepassados.
12/11/2008
Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008
Temos...
uma vida que é vivida
e outra vida que é pensada,
e a única vida que temos
é essa que é dividida
entre a verdadeira e a errada.
Fernando Pessoa
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
E eu...
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Fernando Pessoa
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
Pensamentos
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
David Mourão-Ferreira
Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
O Pajem
de rendas que entre cardos só flutua...
---Triste de Mim, que vim de Alma p'rà rua,
e nunca a poderei deixar em casa...
Paris, Novembro de 1915
Mário de Sá-Carneiro
Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008
Nona Sinfonia
o tom mais alto que tiver a Vida
a glória de cantar que tudo move
a força de viver enraivecida.
Num palácio de sons erguem-se as traves
que seguram o tecto da alegria
pedras que são ao mesmo tempo as aves
mais livres que voaram na poesia.
Para o alto se voltam as volutas
hieráticas sagradas impolutas
dos sons que surgem rangem e se somem.
Mais de baixo é que irrompem absolutas
as humanas palavras resolutas.
Por deus não basta. É mais preciso o Homem.
José Carlos Ary dos Santos
Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008
Música de Verão
Terça-feira, 29 de Julho de 2008
Grandes são os desertos...
Não são algumas toneladas de pedra ou tijolos ao alto
que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes –
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
.
Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.
.
Não tirei bilhete para a vida,
errei a porta do sentimento,
não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em véspera de viagem,
com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
hoje não me resta (à parte o incómodo de estar assim sentado)
senão saber isto:
Grandes são os desertos, e é tudo deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida.
.
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem).
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
para adiar todas as viagens.
para adiar o universo inteiro.
.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.
.
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro.
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
.
Mas tenho que arrumar a mala,
tenho por força que arrumar a mala,
a mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
a ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, o destino.
.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas. A
cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
e que os desertos são grandes e tudo é deserto,
e qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei-de arrumá-la e fechá-la;
hei-de vê-la levar de aqui,
hei-de existir independentemente dela.
.
Grandes são os desertos e tudo é deserto.
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
.
Mais vale arrumar a mala.
Fim.
.
04/Outubro/1930
.
Álvaro de Campos
Quarta-feira, 23 de Julho de 2008
Um pouco mais...
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
num grande mar enganador de espuma;
e o grande sonho despertado em bruma,
o grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minhalma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
e mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Listas de som avançam para mim a fustigar-me
em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me?...
Os braços duma cruz
anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...
Mário de Sá-Carneiro
Segunda-feira, 30 de Junho de 2008
Terça-feira, 17 de Junho de 2008
A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nòs queremos nunca mais o alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga?
De nòs
De quem depende que ela acabe?
Também de nòs
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã
Bertold Brecht
Sábado, 31 de Maio de 2008
Procura a maravilha
Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.
No brilho redondo
e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada
de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha.
Eugénio de Andrade
Quinta-feira, 22 de Maio de 2008
Não tenho nada neste momento
um pensamento uma ideia
sinto-me num Convento
onde o nada me alumia.
.
Nem que pensar queira
alguma coisa de certo
minha mente é uma eira
que de trigo me deserto.
.
Tudo o que não sou agora
é tudo de minha vontade
não sou mais que a aurora
de um mito na posteridade.
.
Quando penso que não penso
se acende uma luz
do nada um pensamento
que me transforma e conduz.
9/10/95
Domingo, 4 de Maio de 2008
Chove
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove...
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
José Gomes Ferreira
Domingo, 27 de Abril de 2008
Perguntam-me quem és
Que te vejam
como os lírios do meu jardim.
Que te admirem como um pássaro
a voar no infinito.
Que te sintam como a água
a correr numa cascata.
Que te beijem com o eco
do som numa colina.
Que te toquem
como a cítara dos deuses.
Que te amem
como se ama a Natureza.
14/12/95
Terça-feira, 22 de Abril de 2008
Quero ter uma emoção
Sentir algo por alguma coisa.
Preencher o meu vazio
com átomos revigorantes.
Descobrir uma sensação
que nunca tivesse existido
na realidade da minha irrealidade.
Ver alguma coisa que me faça sorrir.
Sentir tanto outra que me faça chorar.
Acordar cosmicamente no meu mundo
num impulso,
como a terra e o sistema solar.
Sentir algo que passa a fazer parte
do infinito e imortal.
Acordar uma verdade já existente.
14/12/95
Sexta-feira, 18 de Abril de 2008
Passos simbólicos
amores diabólicos
magia, superstição
bruxedo, destruição.
.
Toda esta ignorância
é maldita e triste
viver sempre na ânsia
num mundo que não existe.
.
Gostar de fazer mal
é natural mas é defeito
no mundo o que é fatal
a lei da causa e efeito.
.
Não faças aos outros
o que não queres receber
tua casa em escombros
se é o que queres ter.
5/12/95
Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
Sou uma pessoa confiante
o que penso torna-se realidade
sinto-me rejubilante
porque aceito a Verdade.
.
De tudo o que tenho vontade
o aceito dentro de mim
seja por força ou por deidade
acontece-me mesmo assim.
.
Não há barreiras na vida
nada é impossível
acredito sem medida
que é possível o incrível.
.
Para alguma coisa fazeres
deves pensar primeiro
acredita que para o seres
tens que o ser por inteiro.
8/10/95
Sexta-feira, 28 de Março de 2008
Domingo, 23 de Março de 2008
Sou o amor e o engano
e outras coisas fatais
coisas que causam dano
coisas boas e algo mais.
Sou duas coisas na vida
a bondade e a maldade
uma esperança perdida
o mundo e a verdade.
De tudo o que a vida tem
o que vivo é dualidade
porque a natureza contém
bem e mal por vontade.
O que tenho é que julgar
o moral e o imoral
porque tenho que contar
que um destes é fatal.
5/10/95
Sexta-feira, 21 de Março de 2008
Terça-feira, 18 de Março de 2008
Sabedoria popular
Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Para a beleza quero olhar
o sofrimento esquecer
de verdade quero amar
a vida a acontecer.
.
A vida tem coisas belas
a vida tem coisas más
tem coisas que eu sem elas
da vida não era capaz.
.
Tristeza e desapontamento
por vezes nos acontece
mas como por encantamento
o que é belo não perece.
.
Canto o que é belo do mundo
como uma orquídea ou uma rosa
não tem topo nem fundo
é um poema ou uma prosa.
5/10/95
Sábado, 8 de Março de 2008
Jogar com as palavras
é assunto de interesse
umas que são louvadas
outras que o não acontece.
Estuda bem o que dizes
não fiques envergonhado
porque ao dizer o que sabes
não fazes mais que o indicado.
Pensa sempre que a pensar
é que a lição se aprende
precisas também julgar
a vida à tua frente.
De ti dá à vida o máximo
é com ela que aprendes
com ela podes ir ao cimo
do topo do monte das verdades.
3/10/95
Terça-feira, 4 de Março de 2008
Poder saber pensar! Poder saber sentir!
Domingo, 2 de Março de 2008
Quando me sinto inseguro
eu julgo que permaneço
a escalar um muro
sem final e sem começo.
Quero olhar para cima
e é nada o que vejo
minha vida é um enigma
em cujo papel eu sobejo.
Quero olhar para baixo
e sofro de tonturas
a minha mente relaxo
do meu medo das alturas.
Parece que fico no meio
duma emoção ou dum pensamento
pois tudo aquilo que creio
minha vida é um tormento.
03/10/95
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
Serás tudo serás nada
Serás tudo o que quiseres
não querer nada é liberdade
mas não é possível viveres.`
Sê aquilo que encontras
no acordar matinal
dá à vida o teu retracto
tal imagem que é fatal.
Não procures o que não entendes
e também o que não queres
faz da vida a tua escola
que ela faz com que prosperes.
Aceita sempre o que aparece
como se fosse sem igual
o que conta é que te interesse
a vitória no final.
29/9/95
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
As crianças são...
as flores do meu jardim.
Amo-as na necessidade
de mim próprio.
Trato-as com o carinho da água
nas suas folhas.
Imito-as como se fosse eterno.
Nelas vejo o entendimento.
Alimento as suas raízes
tal planta sedenta.
Quero-as como se eu fosse
alguém com quem brincar.
Procuro nelas a perfeição.
Vivo-lhes a pureza.
29/9/95
Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
Quero ser uma planta
um cravo uma rosa uma urtiga
um suspiro da vida
uma natureza antiga.
..
Ser como uma macieira
que dá fruto todos os anos
uma espiga de trigo na eira
um joio que causa danos.
.
Ser como a carqueja e o azevinho
que aqueça e embleze
como as uvas e o vinho
que o sangue arrefece.
.
Como um pinheiro que cresce
no monte da minha aldeia
em que a vida se esquece
à luz duma candeia.
3/10/95
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008
Fizeram templos
criaram domínios.
Escravizaram
mataram
violaram.
Construíram países,
impérios
riquezas.
Passaram os tanques
espadas, canhões
sobre os inocentes.
Fizeram-se deuses, faraós
napoleões
reis das histórias antigas
de embalar.
Criaram palavras
emoções
leis e contradições.
Dividiram o planeta
em variadas ilusões
pensaram que poderiam
dividir o mundo em dois.
1/10/95
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
O poema da vida
é ao que me dedico
aquilo que tenho por lema
é que de ideias sou rico.
Viver as inspirações da vida
é de tudo o que é melhor
é uma ilusão perdida
depois de ter sido a maior.
Nasce e morre um pensamento
o que foi finou-se
o que restou do momento
é passado e acabou-se.
Vivemos de baixos e altos
de barreiras e vitórias
que me parecem planaltos
que para mim são glórias.
2/10/95
Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
Um pouco de história
Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
Aqui estou...
tentando encontrar-me...
O silêncio em mim
boceja em descontentamento...
A voz que ouço
é um sussurro distante
da necessidade de mim
em mim mesmo.
Que luz procuras?
Que sombras te alumiam?
Que natureza te traz por cá?
Que angústias
nos passos alegres que dás?
Que causa impões no que és?
Que efeito
perfeito ou imperfeito
troveja na tua realidade?
És tu em tudo o que és?
Vês o espelho que te reflecte
a ressoar no teu mundo subjectivo
fazendo vibrar o teu mundo envolvente?
Tu és em ti a realidade presente!
.
20/05/2003
Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008
O meu destino...
ao que me foi destinado.
Não fui mais que uma obra do meu passado.
Para vir ao mundo não fui julgado
mas desejado.
Quiseram-me por necessidade.
Porque fui..., foi o maior dos cansaços.
30/9/95
Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008
Vou fumar um cigarro
Pôr em prática
uma inconsciência
de mim próprio.
Por um lapso vou ter a sensação
de uma indigência e verdade mental.
Aceito a liberdade
sendo escravo de um pensamento
de uma sensação.
Acende-se a minha necessidade
de um mundo,
que a minha irracionalidade
determina.
Satisfaço a minha avidez
de maneira que desconheço.
12/9/95
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Gostava de ser político
na palavra a demagogia
ser um certo partido
minha vida dia a dia.
Ser um Marx ser um monstro
um promotor de ideias
um mundo que eu encontro
na vida de todos os dias.
Dizer o que se tem
aceite por verdadeiro
aquilo que se desdém
dizê-lo o tempo inteiro.
Dizer que sou o melhor
e que posso ser presidente
o meu partido é o maior
a governar toda a gente.
3/10/95
Domingo, 27 de Janeiro de 2008
Anjo da Guarda
Voltei a cair.
voltei a ver as ilustres lágrimas
virem absorver-me de dor e sofrimento .
nos subúrbios do inferno que vivia dentro de mim ,
palavras contaminadas de ódio ,
batalhavam todas as horas , todos os minutos , todos os segundos
para atingir e concretizar com sucesso e maldade
um único objectivo de me ver morrer ,
pela pessoa ,
a quem eu teimava dedicar a minha vida .
um difícil
ajuste de contas que eu próprio criei ,
sem pensar .
estas , convidavam para o meu dia
uma angústia feia de se ver ,
e um choro condenado
que se libertava quando queria e bem lhe apetecia .
quando jamais se pensava ,
uma linda voz me atraiu novamente .
aquela que uma vez me deu a mão ,
me levou para caminhos elegantes de alegria ,
me fez sentir o quanto é bom alcançar o auge da felicidade .
trouxe com ela ,
um lindo apagador apaixonado ,
que conseguiu
esconder o passado e fazer-me acreditar no futuro .
Sem dúvida ,
que introduziu nesta cabeça
umas séries de filmes impossíveis de viver ,
mas construiu ,
uma deliciosa certeza de que se pode viver só por amar .
só por te amares a ti ,
só por amares quem te faz sentir bem ,
só por teres o prazer de amar .
António Ribeiro @ 2008
17 anos
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
Existo...
O que sou é subjectivo.
Não sei se o que penso
é o pretendido.
Sou o incompreendido.
.
A minha consciência
é a incompreensão de tudo isto.
Digo o que não sou.
Faço o que não digo.
Vejo, sem saber se está
compreendido
por vezes, uma ilusão do perdido.
Crio uma imagem do conhecido.
Reajo de acordo ao favorecido
ao querido e não querido.
.
Escrevo o que não digo...
28/9/95
Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
Ela é bela
Ela é bela
um encanto.
Se eu só penso nela
é porque a amo tanto.
Olhos cor do céu
das nuvens e do tempo
um olhar que é o meu
sempre no pensamento.
Os seus lábios e seus beijos
e toda a sua afeição
alimentam-me os desejos
satisfazem-me o coração.
O seu corpo é o horizonte
de tudo aquilo que sou
aquilo que ela sente
é o paraíso em que estou.
Não posso viver sem ela
minha querida e amada
eu quero viver com ela
senão a vida está acabada.
1/10/95
Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
Poema de amor
como o anel em que cingida
tem gemido toda a minha vida.
Dá-me um anel; mas de ferro,
negro, bem negro, da cor
desta minha acerba dor,
deste meu negro desterro!
.
Dá-me um anel; mas de ferro...
Sempre comigo hei-de tê-lo;
há-de ser o negro elo,
que me prenda à sepultura.
Quero-o negro...seja o estigma,
que decifre o escuro enigma,
duma grande desventura.
.
Dá-me um anel; mas de ferro,
que resista mais que os ossos
dum cadáver aos destroços
do roaz verme do pó.
Entre as cinzas alvacentas,
como espólio das tormentas
apareça o ferro só.
..
E o teu nome impresso nele,
falará dum grande amor,
nutrido em ânsias de dor,
pelo fel da sociedade...
Que teu nome nele escrito,
nesse padrão infinito,
vá comigo à Eternidade
.
Camilo Castelo Branco
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
As Rosas
essas volucres amo, Lídia, rosas,
que em o dia em que nascem,
em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
nascem nascido já o sol, e acabam
antes que Apolo deixe
o seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
inscientes, Lídia, voluntariamente
que há noite antes e após
o pouco que duramos.
Ricardo Reis
Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
Sábado, 12 de Janeiro de 2008
Não a Ti, Cristo
Não a Ti, Cristo, odeio ou menosprezo
que aos outros deuses que te precederam
na memória dos homens.
Nem mais nem menos és, mas outro deus.
No Panteão faltavas. Pois que vieste
no Panteão o teu lugar ocupa,
mas cuida não procures
usurpar o que aos outros é devido.
Teu vulto triste e comovido sobre
a 'steril dor da humanidade antiga
sim, nova pulcritude
trouxe ao antigo Panteão incerto.
Mas que os teus crentes te não ergam sobre
outros, antigos deuses que dataram
por filhos de Saturno
de mais perto da origem igual das coisas.
E melhores memórias recolheram
do primitivo caos e da Noite
onde os deuses não são
mais que as estrelas súbditas do Fado.
Tu não és mais que um deus a mais no eterno
não a ti, mas aos teus, odeio, Cristo.
Panteão que preside
à nossa vida incerta.
Nem maior nem menor que os novos deuses,
tua sombria forma dolorida
trouxe algo que faltava
do número dos divos.
Por isso reina a par de outros no Olimpo,
ou pela triste terra se quiseres
vai enxugar o pranto
dos humanos que sofrem.
Não venham, porém, 'stultos teus cultores
em teu nome vedar o eterno culto
das presenças maiores
ou parceiras da tua.
A esses, sim, do âmago eu odeio
do crente peito, e a esses eu não sigo,
supersticiosos leigos
na ciência dos deuses.
Ah, aumentai, não combatendo nunca.
enriquecei o Olimpo, aos deuses dando
cada vez maior força
p'lo número maior.
Basta os males que o Fado as Parcas fez
por seu intuito natural fazerem
nós homens nos façamos
unidos pelos deuses.
Ricardo Reis
Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
Que Futuro?
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
Balanço de visitas
Obrigado a todos!
É com prazer que lhes venho comunicar os resultados de 7 meses de trabalhos colocados nos meus blogues, cujo início foi dia 11 de Junho de 2007, quando me dispus a criar o blogue “ pacovillanova “ um blogue que é dirigido ao plano intelectual com textos, poemas e comentários meus e de outros autores, e ainda, as mais belas imagens de paisagens e pessoas ou temas famosos. Como não podia deixar de ser criei logo a seguir o blogue “ Loja do Santos “ um blogue dedicado à exposição de trabalhos populares e tradicionais, em literatura, imagem e vídeo. Também coloquei á sua disposição o blogue “ Operemilagres “ um pouco de meditação que penso necessária. Para além destes e ao longo destes sete meses coloquei O “ Paço Tube “ um blogue onde pode ver os mais variados vídeos de festas populares, actividades culturais, viagens, lugares e pessoas. Porque gosto de fotografia introduzi as minhas fotografias no “ Paco Olhares “. Aproveitando a Net para propagar Cultura: “ Politica Social “ “ A Tradição “ “ Poesia de Pessoa “. Para pensar um pouco numa coisa diferente “ O Desvenda Mistérios “. Recordando outro século: “ Paço Encyclopedia das Famílias”. E por fim, para relaxar porque descansar também é preciso, “ Paço TV Online “ Grátis no seu PC e uma variadíssima selecção musical no “ Paco Radio Blog “ a rádio que você controla. Pode visitar estes blogues na barra lateral de todos os blogues.
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Resultados de visitas entre 11/06/2008 – 09/01/2008
Blogues no Blogger: 7903 visitas
Vídeos
.Início 25/06/2007
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Vila Real Promo: 1594
Rally Sabrosa: 929
Passar em Vila real: 726
Rali dos Torneiros: 553
Viagem a Vila Real: 347
Comboio Régua: 316
Marchas Sto António: 232
Descer o Alvão: 227
Procissão Sra Pena: 221
Festa Folhadela: 216
Vila Real: 106
Na feira: 86
O Ricardo: 85
Aeródromo: 84
Tuna Ao Toque: 82
Marchas II: 76
Banquete: 69
Jogo do Cepo: 66
Preparar churrasco: 65
O Mário e o Mário: 65
Marchas das duas Bilas: 59
Brincando com a música: 56
Ela dacucu: 54
O Mr Chico: 53
Passar em Vila real II: 45
As senhoras e Senhores: 43
O Conde e o seu copo: 31
Tuna II: 29
Dog’s Symphony: 28
O Rafael: 21
O Tónio: 21
Tuna Ao Toque III: 19
.Colocados: 32
Visitados: 6622 vídeos vistos
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Nota: Apesar dos números serem singulares e modestos, quando comecei a escrever blogues, não sabia o prazer que daria verificar um dia que o nosso trabalho, aparte do orgulho que representa ser talvez apreciado, significa muito mais do que isso. Representa que todos nós também queremos conhecer os nossos semelhantes e que nunca se sabe o quão prolifero se pode tornar esta troca de ideias, através da sua exposição natural e desprendida de naturezas banais e preconceituosas, resultando muitas vezes em atitudes positivas. Penso ainda, que, através desta dinâmica poderemos melhorar o nosso meio cultural, o meio-ambiente, libertando-nos assim e ajudando ao mesmo tempo os outros a libertarem-se. Um muito obrigado e continuem a visitar os meus blogues!
Pacovillanova
Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Luis Pacheco
Domingo de manhã fui com a Amada para a praia nos rochedos junto do mar vi pela primeira vez o seu corpo nu feito de espuma e onda. Ficámos calados (como quem está só) escondidos de todos à beira-água (como quem a ama, apetecendo-a como os suicidas), o seu corpo cheirava a maresia (cheiraria?). Numa grande doidice de beijos e carícias leves beijei seus pés de espuma macia… em lírica, diria: pés de sereia; em realística, diria: pés de virgem (feia); em novelística, da antiga, diria: pés de deusa brinca brincando na areia; em novelística, novíssima: patitas catitas de centopeia…, beijei seus pés; por ali mesmo comecei a beijar. Caprichos de libertino: o corpo da amada ficou lá nos rochedos à beira-água onde infatigável desfeito liquefeito brisa de maresia pairando no bafo quente do ar e eu guardo no meu quarto na minha colecção mais um sexo de donzela conservado em álcool e memória, uma mistura fácil de três por dois, tintos.
…
de “ Os Namorados”
Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
Ao meu lindo Portugal
pegada de dinossauro rosnando à sopa entornada
pela velocidade de um olhar para o futuro
amiba em coma resumindo o vazio cheiro dos hipermercados
(espelhos de nós lençóis de cal tartarugas da época)
milhafres de vidro assustados pelo tempo
cabelos de quem não vem não vai não quer vestir mais nada senão
o acaso
o incerto
o incerto o sorriso vesgo ao vestibular sismo de aparições.
Ajoelha-te, que os guardanapos espreitam preparando-te o fastio
da dor do açúcar a engarrafar as artérias.
E ainda dizem que essa tremura é coração....
O tanas... isso é falta de aguardente e de porrada!
Ó país da cínica decisão na sacristia
onde a mão que derrota na bisca não vence na vida
país que se veste para sair à rua
fato de D
fato de Domingo em saliente crise de versão.
Ò país de uma só orelha que ouves apenas o que te interessa
e passas a vida a farejar os outros com a narina mais casta
ruína do cínico resumindo o engodo que ser português é viver
num Portugal mais pequeno que as fronteiras.
O país do panfleto ressona
com a gordura a transbordar das sobrancelhas em aspa.
POEMAS COM DEDICATORIA A UM AUTO RETRATO
Ricardo Almeida
Domingo, 6 de Janeiro de 2008
Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008
Começa hoje o ano
Onde 'stamos, que vemos só passar?
O dia muda, lento, no amplo ar;
Múrmura, em sombras, flui a água nua.
Vêm de longe,
Só nosso vê-las teve começar.
Em cadeias do tempo e do lugar,
É abismo o começo e ausência.
Nenhum ano começa. É Eternidade!
Agora, sempre, a mesma eterna Idade,
Precipício de Deus sobre o momento.
Na curva do amplo céu o dia esfria,
A água corre mais múrmura e sombria
E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.
Fernando Pessoa
Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008
Bom Ano para os Jovens Poetas
que a poesia dispensa mais uma dor como essa. Já lhe bastam os arrepios e as unhas carpindo os cabelos brancos.
Não é tragédia escrever poesia, assim como não o é escrever: valem mais os braços que os abraços.
Quando te pedirem para espreitares para cima, não queiras logo ver a lua. Antes da lua há as nuvens. Passa antes por elas e já agora limpa os óculos.
Não queiras ter tudo de uma vez que uma mão não chega para os rebuçados. Com a outra, limpa as cascas.
Quem te disse que se nasce com a poesia? É mentira. Não há beleza alguma na placenta.
Se queres ser poeta, evita os fins-de-semana. Evita pensar neles e durante eles.
Domingo, 30 de Dezembro de 2007
Boas entradas!
deseja a todos os seus leitores,
colaboradores e amigos
um Óptimo Ano de 2008
Sábado, 29 de Dezembro de 2007
Sou Eu!
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Pelos campos de fora, pelos combros,
pelos montes que embalam a manhã,
largo nos meus rubros sonhos de pagã,
enquanto as aves poisam nos meus ombros.
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Em vão me sepultaram entre escombros
de catedrais de uma cultura vã!
Olha-me o loiro Sol tonto de assombros,
e as nuvens, a chorar, chamam-me irmã
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Ecos longínquos de ondas... de universos...
Ecos de um mundo... de um distante Além,
deonde eu trouxe a magia dos meus versos!
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Sou eu! Sou eu! A que nas mãos ansiosas
prendeu da vida, assim como ninguém,
os maus espinhos sem tocar nas rosas!
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Florbela Espanca
Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
Terça-feira, 25 de Dezembro de 2007
Sábado, 22 de Dezembro de 2007
Se houvesse degraus na terra...
Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007
Comemorações
Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
Ainda sobre a cimeira com África
Quando este " Verdadeiro Senhor ", propagador de uma mensagem de Paz e Esperança, visitou Portugal, o senhor primeiro ministro José Sócrates, não arranjou tempo para o atender, escondendo-se atrás das costas do Senhor Diogo Freitas do Amaral, que tem cara de padre e talvez o foi desdenhar, e do Sr. Dr. Mário Soares, que até o cachecol branco não soube colocar. Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
E se..., em vez de...
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
Há quem passeie...
a princípios de ignorância
e olhe com relutância para o passado de todos
quantos foram algemados.
Para o presente, olhos eivados d'inconsciente desprezo.
Os «anjos» aparecem sempre,
com o ar cãndido
das pombas que voam anilhadas e perdidas
nas tempestades
criadas artificialmente.
Há nisto um conformismo...
E, como personagens a passear
pelos jardins desertos, passam.
Criam-se situações de fogos fátuos.
Nem sequer assustam as crianças.
Os «anjos», continuam
a passear.
Ao menos, tivessem consciência
dos olhares cruzando-se; distantes nas realidades
de enganar...
Crianças...
Os palhaços, contam-se pelos dedos.
Maquilhados por natureza,
sentem
e vivem sôfregamente
e pintam-se garridamente.
Vamos rir.
Tudo está diferente, hoje.
E todos crianças,
vamos rir nos tumultos,
nas gargalhadas fáceis.
Olhares de trapezistas. Agudos.
O mundo d'artista...
Já vira a Rosa equilibrista?
Arame que a sustenta.
Corda de violino.
Tensa.
Dá-me a lição de magia.
Faz-me desaparecer entre as árvores,
cobre-me e obriga-me a saltar
vinte vezes as poldras.
Dá-me condições de poder trepar.
Extraído do livro
"Ensaio e Testemunho"
de Fernando Amaral
Nota: Coloquei este poema no meu blogue em Homenagem ao Sr. Dr. Otílio de Figueiredo, pois quando comprei este livro na sua livraria, trazia este e outros poemas assinalados, o que me levou a crer que tinha sido o saudoso activista a fazê-lo, ( devo dizer que foi o próprio que me atendeu e me sugeriu este livro para musicar, pois tinha sido essa a intenção que me levou a entrar na sua loja), implicando isto para mim, a criação de um maior valor sentimental e intelectual em relação à leitura do mesmo livro e à descoberta de um Autor Vila-realense, o que para mim foi uma benéfica novidade.
Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
Já Bocage não sou!... À cova escura
meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
se um raio da razão seguisse, pura!
Eu me arrependo; a língua quase fria
brade em alto pregão à mocidade,
que atrás do som fantástico corria:
Outro Aretino fui... A santidade
manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
rasga meus versos, crê na eternidade!
Bocage
Terça-feira, 27 de Novembro de 2007
Em louvor do grande Camões
dardeje embora Aquiles denodado,
ou no rápido carro ensanguentado
leve arrastos sem vida o Teuco forte.
Embora o bravo Macedónio corte
coa fulminante espada o nó fadado,
que eu de mais nobre estímulo tocado,
nem lhe amo a glória, nem lhe invejo a sorte.
Invejo-te, Camões, o nome honroso;
da mente criadora o sacro lume,
que exprime as fúrias de Lieu raivoso;
os ais de Inês, de Vénus o queixume,
as pragas do gigante proceloso,
o céu de Amor, o inferno do Ciúme.
Bocage
Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Homenagem a Miguel Torga
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
e que nele posso navegar sem rumo,
não respondas
às urgentes perguntas
que te fiz.
Deixa-me ser feliz
assim,
já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
o nosso amor
durou.
Mas o tempo passou,
há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
matar a sede com água salgada.
Miguel Torga
Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
Terça-feira, 20 de Novembro de 2007
De tarde

Foi quando tu, descendo do burrico,
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Sábado, 17 de Novembro de 2007
Domina ou Cala
Não te percas, dando
aquilo que não tens.
Que vale o César que serias?
Goza
bastar-te o pouco que és.
Melhor te acolhe a vil choupana dada
que o palácio devido.
Ricardo Reis
Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
Rádio Grátis
Acabaram-se os seus problemas.
Clique aqui Paco Radio Blog
e disfrute de uma rádio feita à sua medida!
Guarde o endereço no seus favoritos!
Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007
Mais provérbios
A coragem mais rara e necessária é daquele
que todos os dias suporta sem testemunhos
nem louvores os contratempos da vida.
A saudade é como o sol de Inverno
ilumina sem aquecer.
Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Os blogues do Zé
Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
PACO RADIO BLOG
Uma RADIO na Internet, a pensar em si.
- Música Nacional e Internacional. Clássicos Soul e música romântica, Rock, hip-hop nacional e estrangeiro, e os Tops da música inglesa e americana. Ouça tanbém:
- AS NOTÍCIAS ACTUALIZADAS DA RADIO COMERCIAL
- e ainda
- OUÇA O SEU HORÓSCOPO ACTUALIZADO diariamente,
lido por um locutor da Radio Cotonete.
Não hesite, clique nesta LIGAÇÃO e disfrute da melhor qualidade musical e informativa que esta radio lhe irá proporcionar.
Sábado, 3 de Novembro de 2007
Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
As Marchas de Sto António em Vila Real
Sábado, 27 de Outubro de 2007
O Pastor amoroso
e as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
e de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu.
Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
as grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
a realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem, estão presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.
Alberto Caeiro
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
Acabaram as vindimas
Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007
Soem os tambores!
Nasceu o menino.
Acendeu-se uma luz
do estabelecido.
Acendam-se velas.
Faça-se o jantar.
Festejemos o nascimento
de um desconhecido.
Quem será?
Será Deus, o Diabo?
Será luz ou obscurantismo?
Será livre ou incompreendido?
Será gente ou estupidez
um Rei, Príncipe, Escultor
uma Criada de quarto
ou o Último sucessor?...
28/9/95
Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
O Portão da "Quinta do Sebastião"
Sábado, 6 de Outubro de 2007
No meu mundo...
Do duelo de minhas aspirações
espirituais e materiais
gerou-se o destino de um Universo profundo.
Não sou sem dúvida,
mais que uma inconsciência de mim mesmo.
Compreendo que nada existe.
Aquilo que eu vejo não é meu, peço-o emprestado.
Transformo-o no que é meu e dou-o de volta.
O meu passado transforma-se em realidade.
Aquilo que fica é um reconhecimento futuro.
Um mundo só meu ergue-se na colina.
4/12/95
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
Neste caminho

do sol que se põe no Marão
vivo sozinho
mas não a solidão.
Os horizontes que vivo
de mais que uma serra
fazem-me sentir cativo
pela beleza desta terra.
Quando olho para as montanhas
que tenho ao meu redor
sinto nas minhas entranhas
a aumentar o ardor.
O ardor das coisas belas.
O ardor das coisas reais.
Um sussurro das estrelas
e das coisas imortais.
Do seu alto sonho voar
nas galáxias me embrenhar
o meu pó por elas espalhar
26/09/2007
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
Domingo, 23 de Setembro de 2007
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
Cantem-se hinos
faça-se ouvir a música
ranjam-se os tambores.
Chegou o Incriado
o Não-Existente
o Absoluto.
Desceu pelas estrelas
saltimbanco
nas ruas da minha aldeia.
Olhou para mim que o conheço.
Deu-me a mão no entendimento.
Fez de mim o meu herói.
Rasgou as nuvens na compreensão.
Fez-se ouvir comigo.
Criou a minha imagem.
Abram alas e deixem passar
a voz da consciência.
29/9/95
Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007
A Palavra
é aquilo que eu penso.
Uma vez que seja dada
uma imagem é criada
num espaço que é imenso.
Apagá-la é impossível
No espaço cósmico existe.
Uma vez que foi criada
uma criança foi formada
num mundo que não existe.
1/10/95
Sábado, 15 de Setembro de 2007
O primeiro e o último
Não sou um nem outro.
Resvalo numa subida
e ao cair me encontro.
Ser o último ou o primeiro
obriga-me a raciocinar
Quando morre um pensamento
foi um primeiro a acabar.
Ser o primeiro ou o último
deve ser o que importa
é que é sempre o último
que tem que fechar a porta.
Deixá-lo entrar em primeiro
é dar-lhe um cumprimento
é dizer-lhe que na vida
ele cumpre entendimento.
Ser o último ou o primeiro
é uma questão de racionalidade
porque o primeiro ou o último
fazem parte da humanidade.
28/10/96
Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
Provérbios
Há sol que rega e chuva que molha.
Homem velho e mulher nova são filhos até à cova.
Há sempre um testo para uma panela.
Há quem passe pelo bosque
e só veja a lenha para o fogo.
Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
O meu dia
Embora não seja crente até gostei da tarde, pois àparte de muitas fotografias e algum video, encontrei lá umas amigas, uma das quais, a que estava com a filha que, por ventura, é muito simpática e divertida gostando também de troçar comigo, me pediu para tirar também uma fotografia ao seu sobrinho.
Acabou por ser uma manhã divertida. Áparte de sentir o calor e simpatia da dona do estabelecimento, ( a tal senhora que vejo comprensivelmente a ser cobiçada por admiradores que se pensam invisíveis, mas que a uma pessoa um pouco experiente deixam antever claramente os seus desejos), apareceram no café uns amigos com os quais eu não conversava há bastante tempo, (pois são como eu ás vezes só se vêem quando estão de férias), a quem mostrei os videos amadores que tenho feito gravando actividades desta zona. Agradou-me ver na sua cara a alegria que expressavam ao se identificarem com as actividades de lazer que eu lhes divulgava.(...). -Poderiam ser melhores um bocadinho, mas assim também serve, pois "vale mais um pássaro na mira que dois a voar" - ouvi comentar.
Conversei também com um senhor cujos filhos eu conheço e convivi nos meus tempos de liceu, sendo informado, que, infelizmente e por infortúnio, a doença levou um deles.
Porque, áparte da má notícia, a conversa com este senhor tornou-se tão amigável, que me esqueci das horas e fui almoçar um pouco mais tarde.
Ao almoço conversei com a minha mãe sobre o facto de ter decidido sair do país, voltando novamente ao outro país onde tenho vivido, pois aqui a vida tem sido bastante ingrata para mim, pois, infelizmente, não me consigo ambientar a uma sociedade que eu penso cultural e mentalmente fraca e, sobretudo, absorta em fracos simbolos ou mesmo símbolos fracassados.
Depois de almoço fui levar o meu sobrinho à cidade. Como tinha determinado a começar a pintar a minha casa, pensei ir antes tomar um café ao café da mesma senhora.
Depois de pedir um café à senhora ( que tem muitos amigos e não me convidou nem tinha nada que convidar a ir com ela ao arraial de ontem), porque estavam umas amigas na esplanada, fui buscar o jornal e sentei-me numa mesa ao lado. Entretanto chegou uma outra amiga que se sentou na minha mesa começando assim uma conversa animada.
Porque não havia nada que fazer, a senhora, a tão desejada, resolveu sentar-se na nossa mesa, recostando-se numa cadeira a meu lado. Como é óbvio, por ter tão boa companhia e porque palavra puxa palavra, acabei por esquecer-me das horas e não ir fazer o que tinha determinado. Por volta das cinco e meia, fui encontrar-me com um amigo e uma amiga, esta uma senhora também muito simpática, que me tinham pedido para ir com eles comprar batatas. Entretanto fui buscar a um restaurante um cd fotográfico sobre uma procissão do ano passado, que fui entregar a um amigalhaço.
Depois disto fui jantar ao meu restaurante habitual, que, a título de curiosidade, tem também uma senhora, a esposa do proprietário, com a qual eu gosto de me rir ao dizer-lhe que a comida não me satisfaz, pondo-a assim nervosa e engraçada. Acho muito bem, pois esta senhora, também simpática, é uma pessoa muito exigente no que faz, não gostando assim que troçem do seu trabalho.
Voltei a casa e liguei a televisão.
Sentindo-me um pouco melancólico, resolvi ir tomar um café ao café que fica a meu lado.
Para satisfação minha, encontrei um primo meu com o qual eu gosto de conversar, pois que é das poucas pessoas que conseguem manter uma mente aberta conseguindo manter o diálogo.
Decorria a nossa já envolvente conversa, quando chegou um senhor, (que para fortúnio dele tem um bom emprego no Estado e por isso talvez pense ou veja em si alguma autoridade), que nos interrompeu a conversa, para me fazer um tipo de perguntas, ás quais só existia a sua resposta, que, por estranho que pareça, (pois, penso eu, nunca notei nele indícios de constrangimentos por algo que eu lhe tenha dito ou feito, pois penso que nunca me cruzei no seu caminho, ou se calhar atravessei, tudo depende do que esteja ou estivesse acontecendo), não me deixando sequer responder, me convidou insistentemente e muito vigorosamente, a voltar para o país que me acolheu e que acolhe os portugueses que têm necessidade, apoiando-se numa dificuldade diplomática em relação à supremacia, (a galinha do rico põe pelo bico, a galinha do pobre quer pôr e não pode), entre estes dois países. É claro que isto me levou a pensar que se tornou óbvio que não posso deixar de excluir a ideia que esta provocação tenha sido premeditada, pois, pela minha experiência, para as coisas que, por qualquer razão, não se conseguem dizer directamente a alguém, a mente humana arranja subterfúgios para não conseguir dizer nada. Só que para nosso mal, as coisas muitas vezes estão declaradas na nossa cara, actos e omissões, e, que eu saiba, ainda não está provada a invisibilidade.
Um pouco triste, mas contudo sorridente pois penso que não há nada inexplicável, conversei um pouco mais com o meu querido primo que esteve sempre a meu lado, e resolvi vir até casa para lhes contar o meu dia, que está quase acabado.
Já agora: " Falar é uma das formas de nos tornarmos desconhecidos" Miguel Torga
Já agora: " Sinto-me feliz porque consigo num dia verificar a dualidade "
10/09/2007
Anónimo
Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
O meu plano
Conquistar o mundo.
Pegá-lo na minha mão e acariciá-lo como a uma criança.
Ensiná-lo a andar, a falar, a dar-se conta e dos subjectivismos.
Dizer-lhe o que está certo e o que está errado.
Contar-lhe histórias de embalar.
Falar-lhe nos pragmatismos.
Da lei da causa e do efeito.
Do seu interior e do dos outros.
Ensinar-lhe a fazer conjecturas.
A compreensão e o entendimento.
Levá-lo a fazer perguntas, a colocar dúvidas.
A pôr questões.
A louvar tudo o que existe.
1/10/95
Sábado, 8 de Setembro de 2007
A Trouxa Mouxa cultural

http://www.atrouxamouxa.blogspot.com/
Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007
Um estranho no meu caminho
ocupou-me a atenção
Eu tentei esquecê-lo
mas o seu desassossego pareceu-me
algo que devia conhecer.
Estou caminhando até ele
Preciso fazer essa viagem
O porquê de ás vezes a mente descarrilar
de qualquer maneira
Eu preciso entender isso
A alma consegue ver mais
do que um olhar
Que confusão é essa na tua cabeça?
por momentos estás perto da verdade
mas parece que não te sentes à vontade
para a abraçar.
Que confusão é essa na tua cabeça?
por momentos consegues libertar a tua alma
mas parece que sentes que o mundo
não é um sitio seguro para sonhares.
Então pensas que estás a dar
passos no escuro
( a dor de quem é posto de parte )
Começas a ouvir vozes
( mas o que mais te perturba é o seu eco )
Tu não sabes como a ti mesmo te comandares.
Sons estranhos correm na tua mente
Ideias geniais voam no teu horizonte
O contraste é um fenómeno na tua alma
Desvendas os segredos que desejas
mas guardas para ti os quadros que desenhas
com cores que tu próprio inventaste.
Tens magia nos mistérios que te envolvem
( sabes que eles te fazem parecer diferente )
Tens mundos desenvolvidos dentro de ti
( é pena já teres nascido ligado ao preconceito )
Estás depravadamente cego
no teu mundo escuro
Os dias caminham numa
constante amargura
Assim é a tua vida.
A cabeça não responde à alma
falta-lhe o espelho onde possa reflectir
todo o seu brilho
Agarra a razão que muitas vezes te acolhe
inventa forças nas poucas pessoas que te entendem
combate até à exaustão esse devaneio.
Usa-o mas não o deixes usar-te.
Procura algum tipo de luz.
Hugo Ribeiro
Domingo, 2 de Setembro de 2007
O sonho
não compreendo porque
é delicioso vivê-lo .
Fantasias únicas e raras
me levam para caminhos falsos
de uma felicidade
que é fuzilada
por uma vida
onde a realidade é bem diferente .
Cada sorriso
que é dado por uma culpada ilusão,
traz momentos de alegria fantásticos ,
leva-me a ultrapassar
todos os limites de tristeza
com um acto lindo de sonhar ...
Falar ,
torna-se mais fácil do que respirar ,
o coração transforma-se
num objecto bonito de se apreciar .
É pena que a realidade
seja um pesadelo
constantemente doloroso ...
Dava a minha vida
para nunca mais acordar
daquela sensação perfeita ,
o sonho ...
António Ribeiro
Quinta-feira, 30 de Agosto de 2007
Se há o Poder
de mover a montanha
o que se pretender
depressa se ganha.
Manter constante a imagem
do que se pensa e anseia
decrescente é a contagem
para beber o mel da colmeia.
Ter fé é acreditar
que sempre se alcança
no Universo confiar
nas Forças, como uma criança.
É possível mover
essa mesma montanha
a Vida a acontecer
uma Força estranha.
15/1/97
Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007
No decorrer da idade
coisas se verificam
estabelece-se a identidade
passos se rectificam.
O que se passa na infância
e o ser adolescente
acende-nos a tolerância
no viver entre a gente.
A partir dum certo momento
sentimos ansiedade
revoltas no pensamento
ambição e contrariedade.
Numa certa altura
se encontra o aceitamento
na Vida se tem postura
Equilíbrio no pensamento.
Quando tudo está para acabar
no pensamento a saudade
do que se aprendeu a amar
do mundo e Antiguidade.
12/1/97
Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
Quero viver a Verdade
no decorrer da vida
viver essa faculdade
que por mim é sentida.
Para cada um a Verdade
se deve tornar ambição
deve-se ter sempre na vontade
saber responder à questão.
Há umas certas verdades
que não se podem julgar
sejam deuses ou deidades
ou imagens num altar.
O homem é um elemento
uma natureza diferente
com estrelas no pensamento
diferente entre a gente.
12/1/97
Sábado, 25 de Agosto de 2007
Ser humilde
é ser livre por condão
no respeito a certeza
das angústias que nos dão.
Querer ser um pouco mais
do que aquilo que sou
é uma das coisas fatais
que o homem conquistou.
Os outros não são para nós
mais do que aquilo que são
um povo ou uma só voz
uma vida, ou uma emoção.
Sem dúvida, a superioridade
é um impulso que vem de dentro
não querer aceitar a igualdade
num mundo subconsciente.
A Vida e sua expressão
é para todos igual
para todos está à mão
o Poder Divinal.
12/1/97
Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007
A Virtude
a pensar na Virtude
Virtude no pensamento
Virtude na realidade.
A Virtude é um dom
que é de toda a gente
ser virtuoso é ser bom
é querer ser condescendente.
Querer ter bom coração
é luz na Eternidade
viver uma forte emoção
ajudar a humanidade.
Querer ser virtuoso
é para mim uma glória
o caminho é tortuoso
para se chegar à vitória.
12/1/97
Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
O meu jardim
há um jardim a florir
para mim é um encanto
ver a Natureza a sorrir.
Olho para ele e abre-se
uma memória em mim
dum pensamento esquecido
que volta a ser e a ter fim.
Acima de tudo o meu jardim
de expressão é exemplo
das forças que não têm fim
no meu interior que é um Templo.
Um Templo de Majestade
de imagens e metáforas
com prazer e com vaidade
de tristezas e euforias.
Um mundo que eu encontro
com amor ou ansiedade
na maneira como penso
na força da minha vontade.
12/1/97
Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007
Religiões, doutrinas
de verdades garantido
ilusões desvanecidas
num mundo desconhecido.
Dizer que se compreende
o princípio e o final
a vida se compreende
como um processo natural.
Se tudo se quer dizer
não se diz nada afinal
que há muito para ver
muito bem e muito mal.
Há pessoas que se esforçam
por uma vida melhor
um desenho que esboçam
num écran a si superior
30/11/95
Domingo, 19 de Agosto de 2007
A superstição
que de mistério não tem nada
porque a falar a sério
só ilusão é encontrada.
Aquilo que não se sabe
pode ser falta de compreensão
ignorância que é entrave
e dá origem à superstição.
Ser supersticioso é defeito
é incompreensão do mundo
Natureza me deleito
a viver num poço sem fundo.
O que não se compreende
pode não ser para ser compreendido
a vaca do pasto não entende
que o talho lhe está garantido.
9/10/95
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
A Harmonia
de beleza e bem-estar
um dom que nos é dado
para as ideias acertar.
Estar em Harmonia
é revigorar a memória
do tempo ou dinastia
do mundo da sua história.
Harmonia é uma força
em nós inconsciente
que sentimos como nossa
porque está sempre presente.
Estar tudo harmonioso
é estar em equilíbrio
nunca estar ansioso
viver a vida com brio.
8/1/97
Terça-feira, 14 de Agosto de 2007
A Quarta-feira
é como terra de ninguém.
.
Recolho-me como uma flor
que fecha as suas pétalas
sem saber porque existe.
.
Cá no fundo o vazio do Ocaso,
que só por si é rejuvenescedor.
.
A loucura ou a sensitividade esqueço.
As gerações ou a posteridade não penso.
O meu interior passa a ser
uma luz esotérica reciclável.
.
O meu mundo se transforma
num mundo de infinidades.
8/1/97
Domingo, 12 de Agosto de 2007
Destinos...
progenitor do futuro
as linhas que tenho traçado
de acontecerem estou seguro.
Nossos pais tinham avós
avós que avós tinham
árvore que chega a nós
destino que mantinham.
Nasci num certo momento
num ano, num, mês num dia
uma luz e um pensamento
num grito que a mãe queria.
9/10/95
Sábado, 11 de Agosto de 2007
A Festa de Folhadela
Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007
Estar sozinho
estar só ou na multidão
é tudo o que se quer ver
quando se está em meditação.
É ver rosas é ver mundos
deuses diabos e a vida
pensamentos fecundos
e a ilusão perdida.
É criar um futuro
com a habilidade querida
poder saltar o muro
para o outro lado da vida.
5/10/95
Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
Sou
átomos, protões e neutrões
uma máquina natural
de responder a questões.
De ideias é o pensamento
imaginação e loucura
transformado no momento
que se quer ou procura.
Sou milhares de ficções
tentações e aventuras
virtudes e tradições
e o fruto das minhas venturas.
O que quero ou o que sou
às vezes até o lamento
pode ser a angústia em que estou
ou a felicidade por encantamento.
28/10/96
Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
Terça-feira, 7 de Agosto de 2007
A vaidade
vivo na superficialidade
que no verso e na prosa
é tudo uma falsidade.
Eu olho demais o espelho
um reflectir de imagem
seja de novo ou de velho
de beleza ou de linhagem.
Olho pró meu cabelo
como a crina de um cavalo
tudo o que tem de belo
é só aquilo que falo.
Olho pró meu fato
com orgulho e satisfação
mas o que me resta de facto
é desconhecer a questão.
3/10/95
Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
Sábado, 4 de Agosto de 2007
ser político
na palavra a demagogia
ser um certo partido
minha vida dia-a-dia.
Ser um Marx, ser um monstro
um promotor de ideias
um mundo que eu encontro
na vida de todos os dias.
Dizer o que se tem
aceite por verdadeiro
aquilo que se desdém
dizê-lo o tempo inteiro.
Dizer que sou o melhor
e que posso ser presidente
o meu partido é o maior
a governar toda a gente.
3/10/95
Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007
Os meus cavalos
com sua força e velocidade
que por os querer e amá-los
eu fujo à realidade.
Penso que sou D.Quixote
que com força e valentia
com fortuna ou com sorte
vivia o que sentia.
Tinha Pancho como parceiro
que era gordo e beberola
que para ser companheiro
deixava tudo e dava à sola.
Por inimigo moinhos
imaginação por destreza
homenagem e carinhos
de ilusões com certeza.
5/10/95
Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007
Gostava de gostar de gostar
é uma frase conhecida
mas se aprender a gostar
é satisfação garantida.
.
Nem sempre se tem o gosto
de gostar do que se faz
põe de parte o desgosto
não dês um passo atrás.
.
Olha em frente com vontade
estuda a questão e acerta
que viver na contrariedade
nem tu gostas nem liberta.
.
Aprender a gostar é fortuna
ansiada e apetecida
é como caminhar numa duna
em que o oásis é a vida.
1/10/95
Terça-feira, 31 de Julho de 2007
Chove em London
Como em mim, neste Universo.
Transfiguração real
da paisagem de mim mesmo.
Cada gota é um símbolo
dos muitos que existem.
O azul se transforma
no cinzento que paira em mim
diluindo-se nos meus átomos
como a luz que alumia a cidade
em descargas eléctricas
que trovejam em mim
apesar da minha passividade.
As casas vermelhas à minha frente
tornaram-se mais vermelhas
porque as desejo e quero;
ver-lhes a côr é um simbolismo
da minha eternidade.
Os raios de luz que nelas se reflectem
reflectem-se em mim
como eu me reflicto
no Universo e nas Estrelas.
Tanta luminosidade!...
Mais um raio;
adversidade para mim natural
da Natureza que se cumpre
que eu olho, que eu sinto.
Chove em London.
Não sei se chove em mim
ou no que sinto.
A luz que se acende
não sei se é o revés da tranquilidade.
O que é?... Quem sou?...
Mais um raio;
o rumor de mim em mim mesmo.
A homenagem devida ao outro lado.
Estou em mim.
A chuva pára de cair.
O céu, ele mesmo, se apazigua.
Os momentos que vivi
no momento que choveu
me transformaram
no ser futuro
futuro de mim mesmo
traçado nas gotas de água
que param de cair a qualquer momento
impensado mas controlado
como as nuvens que pairam no céu
para regarem a sede
condição irrevogável
de se completarem.
F. Santos
05/07/2001
Segunda-feira, 30 de Julho de 2007
A minha pintura
é um desenho inconsciente
que cobre toda uma ala
dum espaço inexistente.
Tenho aqui uma imagem
daquilo que eu pensei
tal e qual uma viagem
a um mundo que é só lei.
Um desenho é um livro
de traços e metáforas
de um mundo que eu vivo
de ideias abstractas.
Saber seu significado
não é obra do pintor
o que é observado
é que é esclarecedor.
Tenha o sentido que tenha
nunca é o que está certo
pois há sempre mais que um
a pensar que está correcto.
1/10/95
Sábado, 28 de Julho de 2007
Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
O Sol põe-se...
Espera!... Pára!... Não desapareças,
não vás iluminar outros mundos.
Fica sempre o sol que se põe
atrás da minha montanha.
Deixa-te estar, ilumina a minha existência.
Mantém constante a energia em que me envolves.
Desapareces e quem me ilumina?...
Afastas-te e eu sinto um vazio...
Ilumina a minha noite para sempre...
E saber que tenho de te deixar seguir
a tua infinidade.
Amanhã és um sol de outro dia.
1/10/95
Segunda-feira, 23 de Julho de 2007
Das coisas simples...
tiro o conhecimento.
Da Natureza
o pensamento.
Me absorvo no que é natural
o que me é mais querido.
Não sou eu, natureza irreal
mais que um destino?
Todo o dia é um dia
novo e diferente.
Vivo-o como se ele fosse
uma vitória constante.
Não faço da vida uma carga
desconhecida e incerta
procuro uma visão larga
uma mão que se aperta.
1/10/95
Domingo, 22 de Julho de 2007
Entardece

Como em mim, a Vida repousa.
Como a Vida em que o descanso
é semblante do fim dum dia.
Entardece.
As sombras que, por fim
se põem em mim
no meu horizonte.
Entardece.
Medito nas sombras
vividas
no dia-a-dia.
Entardece.
Nasce a luz da noite
da Lua
e das Estrelas.
Entardece.
Faz-se tarde em mim
o acordar
no dia seguinte.
21/07/2007
Sábado, 21 de Julho de 2007
Ciclos
um ponto energético.
Acabou de se cumprir um desejo, um acaso.
Mais um ciclo que se iniciou para se acabar.
Nasceu uma necessidade, um destino.
Uma luz que se apaga.
1/10/95
Sexta-feira, 20 de Julho de 2007
Quem és?
e não me conheço.
Vivo os abismos
da dualidade.
Penso em ti
tal tigre a sua presa.
Quero amar-te
como se ama a natureza.
Pertences ao Olimpo
da minha consciência.
Não sei quem és
apenas que te sinto.
Não sou nada daquilo
que me podes dar.
Dás-me tudo
mas nego-te
a minha compreensão.
29/9/95
Quarta-feira, 18 de Julho de 2007
Comece a música!
Ouçam-se ferros cintilantes
tambores, violinos, tenores.
Haja alegria.
Cantem sinfonias
toquem operetas, dancem
dêem largas á satisfação.
Quero ouvir-vos bem alto
como pássaros azuis
no Universo.
Quero convosco dar largas
á minha euforia de viver
cantar poetas, saltimbancos
pastores no topo do mundo
a tocar de flauta isto tudo.
29/9/95
Terça-feira, 17 de Julho de 2007
Sou o que sou
Sou aquilo que não sou.
Não sou aquilo que sou.
Sou o que penso ser.
Quero o que penso.
Sou o que quero.
Vejo o que vejo.
Não vejo o que vejo.
Vejo o meu subjectivismo.
Sei aquilo que sei.
O meu pragmatismo.
29/9/95
Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Nada do que sou...
nada desprezo.
Aceito tudo
como uma flor as suas pétalas.
Cumpro em mim
o meu destino.
Nada do que sou o não quero.
O que não me satisfaz
o compreendo.
Nem deuses, nem ninfas
me tirem o meu destino.
Quero a vida como a uma rosa.
Dou-lhe tanto quanto posso.
Armo-me com os seus espinhos.
Tudo o que sou, lho devo.
Tudo o que quero
lho pergunto, lho obrigo.
Cabe-lhe a ela me dar
o que Olimpos me fazem querer.
28/9/95
Domingo, 15 de Julho de 2007
Não sou
Não faço parte de nada.
Não quero nada, não vejo nada,
não ouço nada.
Reduzo-me à não-existência.
Não tenho nem deus, nem alma
nem homens, nem mundo.
À volta de mim tudo é oco.
Como sei isso se não existo?...
1/10/95
Sexta-feira, 13 de Julho de 2007
A Vida
A Vida ajuda a quem é constante nessa procura.
A Vida ajuda, a quem, constantemente, procura a Felicidade.
Quarta-feira, 11 de Julho de 2007
Conheço apenas de mim
aquilo a que pertenço.
A minha multiplicidade
não me impede de desconhecer
a multiplicidade de tudo isto.
Acredito no que compreendo.
O que não fui
não sei se o poderei ser.
O meu conhecimento e vontade das coisas
determinam o meu futuro.
Acredito no conhecimento do passado.
Sou aquilo que fui, que quero
que compreendo.
Cumpro as minhas inspirações
hereditariedades e satisfações.
Sou o que compreendo
e o que não compreendo.
12/9/95
Segunda-feira, 9 de Julho de 2007
Não tenho religião
A minha filosofia é a vida
e a sua manifestação.
Não sei se ando doente, mutilado
ou se tenho ou se não razão.
Sou tudo aquilo que vejo
para a minha realização.
Não sou mais que um dormitório
com leis mesmo à minha mão.
Sou tudo aquilo que penso
bem ou mal, sim ou não.
O que quero é estar preceptivo
ao poder que está em questão.
Quero tudo, quero nada
quero a minha razão.
29/9/95
Sexta-feira, 6 de Julho de 2007
Querer ser tudo
É não ser nada
ouçam bem o que lhes digo.
É tentar uma jornada
levantar uma morada
ou subir uma calçada
sabendo que está perdido
Queres tudo, não tens nada
queres nada ‚ o Paraíso.
29/9/95
Quinta-feira, 5 de Julho de 2007
Mais um humano
Alguém que busca
o que todos buscam.
Muitas vezes, nas buscas,
me confundo.
Mas o que busco
é um resultado irreal
das aprofundadas buscas.
Nem sei se o que busco,
é aquilo que a minha personalidade,
com acentuada ou não consciência,
me induz ou se compadece,
e me obriga a compadecer-me..
Não sei se é por algo, distante,
que penso aquilo que sou.
Não sei se é um murmúrio natural,
que se propaga em mim
e me deixa tão distante,
não de mim,
mas do que de mim penso,
no tempo que penso,
com ou sem mim nesse momento,
com uma dúvida qualquer de mim
inconsistente.
Não poderia personificar o Eu,
essa, a tão descritiva
e contudo incompreensível palavra,
que como palavra é descritiva
do momento que sinto,
quando sinto o que penso,
quando penso,
o que penso.
05/07/2007
Terça-feira, 3 de Julho de 2007
O Deus implacável e submissor
como os deuses dos nossos antepassados.
Um deus dos campesinos.
Ser um deus fora de mim. Desconhecido.
Implacável. Submissor.
Que me construíssem templos em ouro.
Que matassem cadáveres e mos oferecessem.
Que me servissem em insignificância.
Que me adorassem sem fazerem parte de mim.
Que me amassem como a um Imperador.
Que me ouvissem sem me compreenderem.
Que não me sentissem.
Que não sentisse a raiva de não ser compreendido.
Não sentir o ódio de ser traído
a humilhação de não ser querido.
30/09/95
Segunda-feira, 2 de Julho de 2007
Fernando Pessoa, acima da Verdade
Ricardo Reis
Acima da Verdade
Acima da verdade estão os deuses.
A nossa ciência é uma falhada cópia
Da certeza com que eles
Sabem que há o Universo.
Tudo é tudo, e mais alto estão os deuses,
Não pertence à ciência conhecê-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como às flores,
Porque visíveis à nossa alta vista,
São tão reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
São outra Natureza.
Esmaltes e Jóias
Domingo, 1 de Julho de 2007
Haverá direito à diferença?
2/7/07
E os mitos se criaram
A insuficiência de conhecimento
do Princípio.
Uma dúvida do conhecido e
não conhecido.
Um teorema incompreendido.
28/9/95
Sábado, 30 de Junho de 2007
Palavras para quê?
se o silêncio sabe falar.
É bom ter amor
mas do ódio não posso duvidar.
Que ele tira melhor as nódoas negras
o sabão não sabe tirar.
Quando plantares uma planta
não plantes só por plantar
mas sim para poder ambientar.
Jaime Guedes Gouveia
Deambulação
Deambulemos!...
Há três mil anos atrás, Ramsés II adorava o sexo, materializado no Falo.
Depois deste tempo todo, as pessoas adoram-No, mas não O conseguem incorporar.
É de Falo que falo!
Eu falo sobre o Falo, do qual porventura não deveria falar, mas é do Falo que eu mais quero Faloar.
O sacerdote do Falo...
Não se Faloem pois Faloar pode não ser socialmente Faloaceite!
- FaloEm-se, agarRem-se ao Falo e digam:
- Eu preciso dum Falo, porque quando falo ninguém me Faloa.
- Precisam dum Falo? pergunto eu,- animem-se; pois pra quem falo, precisa dum Falo...
e AGORA, PERGUNTO EU, É SÓ A FALOAR QUE A GENTE FALA?
30/06/07
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Quinta-feira, 28 de Junho de 2007
Amar é...
a nós próprios.
É dar aquilo
a que se tem direito.
É cumprir, como os lírios,
um destino.
É ser merecido.
É esperar tudo
do que se pode dar.
Aceitar flores
que nos podem mudar.
Aceitar carinhos
de gratitude
palavras
mais que tudo.
29/9/95
Quarta-feira, 27 de Junho de 2007
Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
Quero ser uma ave
Voar às alturas.
Aproximar-me do céu
do abismo
e sentir a liberdade
de ver tudo isto.
Se um dia subir aos céus
vou voar muito alto.
Se subisse ao Universo veria
que não seria
mais do que aquilo que sou.
Se nunca parasse de subir
nunca mais me veria.
29/9/95
Que procuras?
- Mestre, eu gostava muito de ser como você, uma pessoa que para mim é um Deus, pois que não há pergunta á qual não me possa dar resposta!
- Mas há sempre perguntas que não têm resposta, respondeu Sócrates finalizando: - Poderemos satisfazer a vontade do conhecimento da verdade, mas, muitas vezes, só podemos assegurar esse conhecimento, através das conjecturas!
- Mesmo assim, eu quero obter o conhecimento!
Sócrates, vendo que Platão, um jovem propenso ao conhecimento da Verdade, estava para ele suficientemente interessado, mesmo, se calhar, através do sacrifício, respondeu:
- Pois bem, eu quero mesmo saber se tu procuras o Conhecimento!
Dizendo isto, agarrou-lhe pela cabeça, e mergulhou-a na água fresca do rio, mantendo-a debaixo de água, até ver que, ele, desesperado, gesticulando, demonstrava que estava a soltar o último suspiro.
Depois disto, levantou-o e perguntou-lhe?
- Ainda queres obter o conhecimento?
Platão, depois da que para qualquer pessoa seria uma desoladora experiência, respondeu ansiosamente:
- Claro que sim meu Mestre.
- Pois bem, quando tiveres tanta força intelectual, como tiveste fisica para não te afogares, para obteres o conhecimento, então obterás a luz!
Pensa em ti
Se pensas em mim, ok pensa em mim.
Se pensas em nós,
cuidado, porque primeiro tens que pensar em ti,
para depois te pores no lugar,
de quem, por pensamento conjectural
pode pensar em ti.
Sábado, 23 de Junho de 2007
Sexta-feira, 22 de Junho de 2007
Quem és?
Quem és tu que me afastas de mim e me fazes perder no meu interior,
profundo e indeterminado, em que tudo o que sou
se transforma na tua indiferença
e na minha também indiferença introspectiva e distante
não do que sou, mas da tua imagem indiferente?
Quem és tu que ignoras, não a mim mas a vida
a passar a teu lado indiferente a ti que a desprezas?
Quem és tu que rasgas o ar activo e constante
mas que não o sentes em ti nem o lamentas?
Quem és tu em que a sombra que fazes
é a sombra das sombras em ti,
que a realidade desconheces, e te tornaste
um ser indiferente na minha própria indiferença?
F. Santos
22/06/07
Quinta-feira, 21 de Junho de 2007
Não tenho a certeza
até a pensar que tenho a certeza
a certeza que tenho é saber
que não há certeza nenhuma.
Nem mesmo ter a certeza da certeza
de estar a dizer tudo isto.
30/9/95
Terça-feira, 19 de Junho de 2007
D'O Rato
Vagueio d`este som
dentro desta dor
dentro de tudo e de nada
procuro-te e não vejo nada
nada é como quem nada num rio
à procura de nada
SERÁ QUE NADA EXISTE?
OU SERÁ QUE NÃO EXISTE NADA!?
Ricardo Trindade
Segunda-feira, 18 de Junho de 2007
Será que tudo existe?
Não saber é uma preguiça mental.
Não querer saber é a maior estupidez natural.
O que mais detesto é saber que
até o que está mal, está bem.
Nada existe
apenas a subjectividade.
30/9/95
Sábado, 16 de Junho de 2007
Cuidado com o Sr. Crocodilo!
Sexta-feira, 15 de Junho de 2007
Átomos e moléculas
Os teus átomos são os meus.
Revolvo-me nas tuas moléculas
diluo-me contigo no teu leito.
Faço amor com a tua beleza
afluente divinal.
Absorvo-me em ti
como se não existisse.
Os teus braços envolvem-me
natureza de princípios.
Os teus beijos são
a minha aurora boreal.
O teu amor
um Princípio divinal.
29/9/95
O meu primo Ricardo

Quinta-feira, 14 de Junho de 2007
O teu retrato
Contornar-te como se existisses.
Criar a imagem do que de ti vejo.
Subjectivar-te comigo.
Tracejar-te na minha história.
Pintar os teus cabelos
estandartes ao vento.
Os teus olhos, como o infinito.
Os teus lábios
como um sussurro de uma cascata.
O teu ser
nas cores da minha vida
e nos tronos do Olimpo.
29/9/95
Quarta-feira, 13 de Junho de 2007
O Castelo Branco
Terça-feira, 12 de Junho de 2007
Queres ver Deus?
Imita uma andorinha.
Abraça uma árvore.
Olha à tua volta e vê...
Torna a olhar...
Uma planta que cresce
um rio que escolhe o seu leito
um mar que não transborda
uma montanha que se ergue nos céus
um pássaro que canta
um ruído que não existe
uma luz que se apaga
um sol que nasce
uma lua que cintila
uma criança que partilha
um vento que sopra
uma terra que suporta
um brilho que se afasta
uma estrela que se aparta
um Universo a que não se chega.
28/9/95
Segunda-feira, 11 de Junho de 2007
Jesus Cristo nasceu num outro lado
Estudou na escola da terra, na colina da serra,
onde aprendeu os dotes, para falar com sacerdotes
aos treze anos de idade.
Sua mãe era virgem, a Virgem Maria,
na religião se embebia.
Seu pai se cansava no torno que embelezaria
.…Os holocaustos de criança, o que o incomodaria?
No indignar-se com a diferença dos outros, insistia.
Os seus semelhantes acovardavam-se na serventia.
Na diferença se parecia.
Tinha que haver rebelia, e Cristo aparecia.
E dizia:
Ser antepassado não é ser diferente?
Não é do passado que vive o presente?
Porque não ser coerente?
Pensar em nós primordialmente.
Defendermo-nos constantemente.
Porque não mantê-lo continuamente?
Dai-nos Senhor o pão-nosso de cada dia, ele proferia.
A multidão elucidaria:
Irmãos.
Dentro de nós não pode haver melancolia.
Não é porque era Moisés que ao povo o dizia,
ou a fé judaica o introduziria,ou é de cântico na confraria!
Deus inspira-te dia a dia.
Porque eu conhecer o queria,
me elucidaria:
A lucidez do espírito deveriana vida ser merezia.
Nos outros olhariao que quereria.
Neles me confrontaria,mas não repetia a ousadia.
Depois disso meditaria.
A minha mente raciocinaria,
a humildade eu teria,
de ver que Deus dá alegria,
mente sã em qualquer dia,
uma semente bravia,
num joio que ardia,
no entardecer ao fim de um dia,
na vida de um ente qualquer.
Na sua presença me deslumbrei,
no seu Espírito me representei,
ao seu Poder me humilhei,
com a sua luz eu ceguei,
na sua força me debrucei,
e assim comuniquei:
Aceitares-me, é aceitares-te eternamente.
Amares-me e ao teu próximo, é amares-te profundamente.
Que a Virtude ocupe a tua mente.
Vive a vida solenemente!
Pois Deus está sempre presente,
no momento absorvente,
que até pode ser diferente,
mesmo sendo permanente,
num lugar adjacente.
26/05/99
Olá Hello Salut
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